
The international market of rice voltou a acompanhar com atenção a situação da Índia diante da combinação entre redução da produção, avanço dos preços e estoques elevados. Segundo Sergio Cardoso, analista da cadeia de rice, o USDA reduziu em setembro a projeção da produção indiana em 2026/27 de 150 milhões para 147 milhões de toneladas beneficiadas, primeira queda anual desde 2015/16.
A indústria indiana trabalha com uma estimativa ainda menor, de aproximadamente 144 milhões de toneladas, quase 10 milhões abaixo dos 154 milhões registrados na safra anterior. A retração seria de cerca de 6,5%, a maior em quase duas décadas.
O principal fator é o clima. Desde o início das monções, as chuvas acumuladas estavam 15% abaixo do normal e, em importantes regiões produtoras, o déficit chegava a 42%. A área cultivada com arroz de verão, responsável por mais de 80% da produção do país, estava quase 4% menor.
Os preços já reagiram. O arroz parboilizado indiano com 5% de quebrados chegou a US$ 375 a US$ 381 por tonelada, maior nível em mais de um ano. Poucas semanas antes, os valores variavam entre US$ 364 e US$ 369 por tonelada.
Ao mesmo tempo, os estoques seguem elevados. Em 1º de setembro, os estoques públicos, incluindo arroz ainda em casca, alcançaram 59,6 milhões de toneladas. No balanço do USDA, os estoques finais de 2025/26 foram elevados para o recorde de 58,5 milhões de toneladas beneficiadas.
Esse volume reduz, por enquanto, o risco de restrições às exportações. A avaliação é que o impacto sobre o mercado dependerá de quanto desse arroz estará disponível para o comércio internacional e a que preço. O cenário ganha peso porque o USDA também reduziu a produção mundial de 2026/27 em 3,4 milhões de toneladas, para 533,9 milhões.
