A possibilidade de os Estados Unidos adotarem uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros acendeu um sinal de atenção entre exportadores e investidores ligados ao agronegócio. Embora os impactos dependam do alcance da medida, das exceções setoriais e das negociações entre os governos, especialistas avaliam que o efeito pode ir além do comércio exterior e atingir investimentos, câmbio e custos financeiros no Brasil.

Economista com PhD em Finanças, Roberto Simioni: “A intensidade dos impactos dependerá do escopo da tarifa, das exceções concedidas e da possibilidade de negociação política” – Foto: Arquivo pessoal
Para o economista com PhD em Finanças, Roberto Simioni, a medida deve ser analisada não apenas como uma barreira comercial, mas como um fator de aumento da incerteza econômica.
Segundo ele, o mercado tende a reagir inicialmente à perspectiva de redução das margens e dos volumes exportados por setores mais dependentes do mercado americano. “A intensidade dos impactos dependerá do escopo da tarifa, das exceções concedidas e da possibilidade de negociação política”, avalia.
Competitividade em risco
O primeiro efeito esperado é sobre a competitividade dos produtos brasileiros nos Estados Unidos. Em segmentos nos quais os compradores possuem alternativas de fornecimento e maior sensibilidade a preços, parte do custo da tarifa tende a ser absorvida pelo exportador brasileiro, reduzindo margens de lucro e, em alguns casos, provocando perda de participação de mercado.
Nas cadeias agroindustriais, o impacto pode variar conforme o produto. Mercadorias com menor capacidade de redirecionamento para outros mercados tendem a sofrer mais. Já commodities negociadas globalmente podem encontrar alternativas de destino, embora enfrentem pressões de curto prazo sobre preços e rentabilidade.

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Simioni observa que, quando há dificuldade de repassar o aumento de custos ao comprador americano, o ajuste ocorre por meio de descontos nos preços, redução das margens ou perda de competitividade frente a concorrentes internacionais.
Reflexos sobre câmbio e investimentos
Além dos efeitos diretos sobre as exportações, a medida pode influenciar variáveis macroeconômicas importantes para o agronegócio. A expectativa de menor entrada de dólares no país e o aumento da percepção de risco tendem a pressionar o câmbio e elevar a volatilidade dos mercados financeiros.
De acordo com o economista, uma eventual desvalorização do real pode alimentar pressões inflacionárias e levar o mercado a revisar projeções para a política monetária, influenciando os custos de crédito e financiamento.
O impacto também pode atingir decisões de investimento. Em cenários de maior incerteza, empresas costumam

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adiar projetos de expansão, rever aportes de capital e ampliar estratégias de proteção financeira. “O principal risco não é apenas a perda direta de exportações, mas a possibilidade de um choque de confiança que reduza o investimento privado e provoque uma reprecificação do risco-país”, destaca Simioni.
Efeito pode alcançar toda a cadeia
Segundo a análise, os reflexos não ficariam restritos às empresas exportadoras. Caso a tarifa atinja produtos intermediários ou segmentos específicos da agroindústria, os impactos podem se espalhar por toda a cadeia produtiva, afetando fornecedores de insumos, operadores logísticos, transportadoras, seguradoras e instituições financeiras ligadas ao setor.

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Mesmo empresas sem atuação direta no mercado externo podem sentir os efeitos por meio da redução da atividade econômica, da menor demanda por serviços e da revisão das expectativas de crescimento.
Mercado acompanha negociações
Apesar das preocupações, Simioni ressalta que a reação dos mercados ainda é de cautela, e não de pânico. A precificação observada até agora inclui desvalorização do real, queda de ações de empresas mais expostas ao comércio exterior e aumento dos prêmios exigidos nos títulos de longo prazo.
Na avaliação do economista, os investidores seguem monitorando as próximas etapas das discussões comerciais nos Estados Unidos e a possibilidade de exceções para determinados setores. O impacto final sobre o agronegócio brasileiro dependerá da abrangência da medida e da capacidade de negociação para evitar um tarifaço amplo sobre os produtos nacionais.
