
As perdas de Nitrogênio na fertilização do corn podem ser reduzidas com o uso de inibidores de urease, segundo resultados de ensaios realizados pelo “Estación Experimental Agropecuaria del INTA Paraná” nas safras 2024/25 e 2025/26. Os estudos compararam a Urea convencional com a Ureia tratada com Limus®, em diferentes doses de Nitrogênio.
Segundo informações do Governo da Argentina, a volatilização de amônia (NH₃) é uma das principais vias de perda de nitrogênio dos fertilizantes aplicados ao milho. Para avaliar alternativas de manejo, especialistas da Estação Experimental Agropecuária do INTA Paraná conduziram dois ensaios de campo nas duas últimas safras. “O objetivo do trabalho foi avaliar as perdas de nitrogênio por volatilização de amônia decorrentes da aplicação de ureia com e sem inibidor de urease, e analisar seu impacto na resposta à adubação nitrogenada em milho”, explicou Anabel Gamarra, pesquisadora do INTA Paraná.
Os experimentos fazem parte da rede de perdas gasosas de nitrogênio no milho na Argentina, que reúne estudos conduzidos em diferentes regiões produtoras do país, como Paraná, Balcarce, Corrientes, Manfredi e Salta.
Nos ensaios, foram avaliadas doses de 100 e 200 quilogramas de nitrogênio por hectare, além de uma área de controle sem fertilização.
Segundo informações do Governo da Argentina, antes das aplicações ocorreram chuvas entre 24 e 39 milímetros nos dias anteriores aos experimentos. A condição resultou em umidade do solo de 66% e 61% do espaço poroso preenchido com água, dependendo da estação, cenário considerado favorável ao aumento das perdas por volatilização.
No Paraná, a ureia convencional apresentou, nas duas safras avaliadas, o maior pico de volatilização entre o segundo e o terceiro dia após a aplicação. Já a ureia tratada com inibidor de urease apresentou comportamento mais estável, com menores perdas distribuídas ao longo do período avaliado.
Na safra 2024/25, a ureia convencional perdeu entre 14% e 15% do nitrogênio aplicado por volatilização. Com o uso do inibidor, a perda caiu para 6% a 7%, aproximadamente metade do registrado com a ureia convencional.
A diferença se manteve e aumentou na safra 2025/26. Segundo informações do Governo da Argentina, as perdas com a ureia convencional ficaram entre 13% e 20%, enquanto a ureia com inibidor apresentou perdas de 5% a 6%. Apesar da redução nas perdas de nitrogênio, os pesquisadores não identificaram diferenças estatisticamente significativas na produtividade entre as duas fontes de fertilizantes avaliadas.
As diferenças observadas na produtividade estiveram associadas à dose de nitrogênio aplicada. Os resultados variaram de 5.277 a 11.915 quilogramas por hectare.
A eficiência do uso de nitrogênio foi maior com a menor dose aplicada, independentemente da fonte de fertilizante utilizada nos ensaios. “Os resultados mostram que a incorporação de um inibidor de urease reduz significativamente as perdas de nitrogênio por volatilização de amônia em comparação com a ureia convencional. Essa informação fornece evidências para a otimização do manejo da fertilização nitrogenada em sistemas com condições que os predispõem a esse tipo de perda”, afirmou Carolina Gregorutti, pesquisadora do INTA Paraná e diretora do estudo.
A pesquisa reúne a empresa Profertil, o Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Técnica (CONICET), o Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA), a Faculdade de Ciências Agrárias de Balcarce e a Faculdade de Ciências Agrárias da Universidade Nacional do Nordeste (UNNE).
O trabalho também faz parte da tese de doutorado de Anabel Gamarra. Segundo informações do Governo da Argentina, a pesquisa terá continuidade com a avaliação das emissões de óxido nitroso (N₂O). A próxima etapa busca gerar recomendações de manejo voltadas à melhoria da eficiência do uso de nitrogênio e à sustentabilidade dos sistemas de produção de milho.
