
O mercado de açúcar ganhou força entre agosto e setembro diante da redução das expectativas de produção no Centro-Sul do Brasil, de intervenções na Índia e do aumento das tensões geopolíticas. O cenário levou os contratos futuros a registrar valorização em diferentes vencimentos. O contrato número 11 com vencimento em outubro alcançou média de 17,7 centavos de dólar por libra-peso nos 30 dias encerrados em 11 de setembro, segundo dados divulgados pela Consultoria Agro do Itaú BBA.
O petróleo acima de US$ 100 por barril também contribuiu para o movimento. As tensões no Oriente Médio, a guerra entre Rússia e Ucrânia e preocupações inflacionárias aumentaram a procura por diferentes commodities. Na Índia, medidas adotadas pelo governo para controlar os preços domésticos também movimentaram o mercado. Entre elas está a autorização para importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem tarifa.
No Brasil, a estimativa para a produção do Centro-Sul em 2026/27 foi revisada para 38,9 milhões de toneladas, redução de 400 mil toneladas frente à previsão anterior. A moagem projetada passou de 644,8 milhões para 639,7 milhões de toneladas de cana, enquanto a estimativa de ATR caiu de 138,3 para 136,4 quilos por tonelada.
O aumento do mix destinado ao açúcar, agora estimado em 46,8%, não foi suficiente para compensar a menor moagem e a pior qualidade da matéria-prima.
Com as revisões no Brasil e em outras origens, a estimativa de déficit mundial para 2026/27 passou para 2,1 milhões de toneladas. Apesar do suporte da oferta, a consultoria destaca que novas altas mais consistentes ainda dependem de uma recuperação da demanda física.
