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Agricultural News finds different starts in Mato Grosso: from crops aiming for 80 sc/ha to planting halted due to lack of rain.

Chuvas no MT

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A safra brasileira de soja 2026/27 começa a ser construída sob cenários bastante diferentes dentro do próprio Mato Grosso. Em dois dias de estrada pelo norte do estado, o Notícias Agrícolas encontrou desde produtores trabalhando com expectativa de produtividade de 80 sacas por hectare, favorecidos por boas chuvas, até lavouras com emergência irregular, plantio interrompido e possibilidade de replantio pela falta de umidade.

Foram visitadas propriedades em Cláudia, União do Sul, Santa Carmem e Tabaporã. O retrato encontrado pela reportagem é de uma safra que, de maneira geral, começa com boas perspectivas, mas ainda depende da regularização das precipitações em algumas áreas.

Mais do que a produtividade da soja, porém, outro relógio já está correndo no campo: a janela para a segunda safra de milho. A preocupação apareceu nas conversas com os produtores e ganha peso principalmente nas regiões onde o atraso ou a interrupção do plantio da oleaginosa começa a empurrar o calendário para frente.

Cláudia: chuva colabora e expectativa chega a 80 sacas

Na Fazenda Boa Esperança, em Cláudia, a família Canozo cultiva 2.500 hectares. O plantio começou em 9 de setembro e, no momento do levantamento, entre 15% e 20% da área estava semeada. Carolina Canozo, Martinho Canozo e Gabriel Canozo relataram boas condições de chuva para o início dos trabalhos e mantêm uma expectativa elevada para a temporada: média de 80 sacas de soja por hectare. A maior parte da área recebe materiais de ciclo médio.

Além do potencial produtivo, um número ajuda a traduzir a realidade econômica desta safra: o custo da soja na propriedade é estimado em aproximadamente 32 sacas por hectare. A conta mostra que, mesmo diante de uma perspectiva agronômica favorável, produtividade continua sendo decisiva para sustentar a margem do produtor.

União do Sul: boas chuvas aceleram o plantio

O cenário também era favorável na Fazenda Mustang, em União do Sul, onde Elvio Pelissa e sua família cultivam 4.080 hectares. A semeadura começou em 26 de setembro e já havia alcançado 50% da área até 5 de outubro, caminhando para a reta final.

Ali, diferentemente das áreas que ainda enfrentam irregularidade, as chuvas chegaram boas, regulares e com volumes considerados satisfatórios, permitindo avanço consistente das máquinas.

A expectativa também é de uma produtividade média próxima de 80 sacas por hectare, com predominância de cultivares de ciclo médio. Mesmo com o bom começo, o acompanhamento fitossanitário já exige atenção. Entre as preocupações está a mosca-branca, cuja presença demanda monitoramento desde os estágios iniciais da cultura.

Santa Carmem: produtor esperou a chuva e reduz exposição ao risco

Na Fazenda Dona Dozolina, em Santa Carmem, a situação encontrada foi intermediária. Na propriedade de 3.920 hectares, acompanhada pelo produtor Rudimar Ceni e pelo responsável técnico Juliano Pinho, as chuvas demoraram mais para se estabelecer. A semeadura começou há poucos dias e foi concentrada nas áreas onde havia umidade suficiente no solo.

Com histórico de produtividade elevada, a fazenda entra na nova temporada adotando uma estratégia que vai além da soja: aproximadamente 70% da área está destinada ao milho, uma decisão relacionada à busca por menor exposição ao risco.

Outro ponto que chamou a atenção da Jornada foi o nível de adoção de produtos biológicos, utilizados como ferramenta para tornar o controle de pragas mais assertivo.

A propriedade também entra na segunda safra com redução na adubação fosfatada, resultado de uma estratégia de manejo construída a partir das condições e do histórico dos solos. É um exemplo de como, mesmo em uma temporada na qual os custos de maneira geral tendem a ser mantidos, o produtor procura eficiência dentro da porteira para preservar resultado.

Tabaporã acende o sinal de alerta

Foi em Tabaporã, entretanto, que o Notícias encontrou o cenário mais delicado dos dois primeiros dias. Na Fazenda Passo Fundo, de Roberto Kempf, a falta de chuva interrompeu o avanço do plantio.

Soja 26-27 - Tabaporã-MT (4)

Em alguns talhões, quando existe umidade suficiente, a equipe aproveita cada oportunidade e chega a trabalhar 24 horas seguidas para colocar a semente no solo. Em outras áreas, porém, a semeadura precisou parar.

O pluviômetro vazio resume parte da preocupação. Nas áreas já implantadas, a interrupção das precipitações também começa a cobrar seu preço. A reportagem encontrou plantas com desenvolvimento desigual e falhas de emergência. Segundo o relato na propriedade, há áreas que poderão precisar de replantio, caso a condição não melhore.

A pressão de percevejos também é forte e adiciona mais um ponto de atenção ao manejo inicial.

Tabaporã mostrou, assim, o outro extremo da viagem: enquanto algumas regiões trabalham com boa disponibilidade de água e rápido avanço das máquinas, outras continuam esperando a chuva necessária para consolidar a implantação da safra.

A soja é a primeira conta; a safrinha vem logo atrás A irregularidade das chuvas não preocupa apenas pelo desenvolvimento da soja. Entre os produtores ouvidos durante a Jornada, apareceu repetidamente a preocupação coma janela da segunda safra, particularmente nas áreas onde o calendário da soja começa a atrasar.

Cada dia perdido agora pode significar uma semeadura mais tardia do milho, aumentando a exposição da cultura às condições climáticas menos favoráveis no final do ciclo.

Em Santa Carmem, onde o milho ocupa parcela importante do planejamento produtivo, essa equação ganha ainda mais relevância. Em Tabaporã, com o plantio da soja interrompido, o calendário já começa a ser observado com atenção redobrada.

É uma das questões que o Notícias Agrícolas acompanhará ao longo dos próximos meses: o impacto das decisões tomadas agora sobre a segunda safra de 2027.

El Niño está no radar, mas sem alarmismo

O possível impacto do El Niño também apareceu nas conversas realizadas nas quatro propriedades. O fenômeno é considerado no planejamento e nas decisões dos produtores, mas a reportagem não encontrou um ambiente de alarmismo. O sentimento predominante é de acompanhamento constante das previsões e adaptação das operações conforme a condição efetivamente encontrada em cada propriedade.

A diferença observada entre os municípios reforça essa postura: dentro de uma mesma região produtora, a distribuição das precipitações já produz realidades bastante distintas.

Custos, investimentos e sucessão também entram na safra

A reportagem encontrou ainda dois elementos que extrapolam a condição das lavouras. De maneira geral, os produtores visitados sinalizaram manutenção dos níveis de custos e de investimentos, sem grandes movimentos de expansão neste início de temporada. A estratégia predominante é preservar eficiência e produtividade.

Nas conversas, também apareceu um tema que acompanhará o projeto: sucessão familiar. Há propriedades onde uma nova geração já participa diretamente da gestão e outras em que o processo de sucessão está sendo construído. São famílias que não estão apenas plantando a safra 2026/27, mas definindo quem estará à frente das próximas.

O ambiente político também surgiu espontaneamente durante as visitas. Os produtores ouvidos demonstraram expectativa por mudanças no cenário político e econômico que possam melhorar as condições para o agronegócio. Por se tratar de quatro propriedades, os relatos representam as percepções dos entrevistados e não permitem generalização sobre o sentimento do setor no estado.

Uma boa safra começa a nascer, mas a chuva ainda dará as cartas

Depois de quatro propriedades e dois dias percorrendo o norte de Mato Grosso, o primeiro retrato é predominantemente positivo. Há áreas com bom arranque, produtores mirando produtividades elevadas e lavouras que começam a responder bem onde a água chegou na quantidade e no momento adequados.

Mas Tabaporã deixa um aviso. A safra 2026/27 ainda está apenas começando, e a chuva está desenhando diferentes largadas dentro do maior produtor de soja do Brasil. A safra projetada nos números é uma. A safra que nasce dentro da porteira é outra. 

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