As exportações brasileiras para os países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) voltaram a perder força em abril sob impacto das tensões no Oriente Médio e das dificuldades logísticas provocadas pelo fechamento do Estreito de Ormuz. As receitas com embarques para Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã somaram US$ 455,54 milhões no mês, queda de 24,99% em relação ao mesmo período do ano passado.

Apesar do revés, carne bovina avançou em todo o Golfo – Foto: Divulgação
Foi o segundo recuo mensal registrado em 2026. No acumulado do primeiro quadrimestre, as exportações brasileiras ao bloco árabe totalizaram US$ 2,82 bilhões, leve retração de 0,67%, segundo levantamento da Inteligência de Mercado da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira com base em dados do governo federal.
Apesar da desaceleração, o agronegócio segue sustentando parte importante das receitas brasileiras na região. Os embarques de produtos agropecuários acumulam alta de 1,97% no ano, atingindo US$ 1,76 bilhão, puxados principalmente por açúcar, carne bovina, milho e café.
O cenário reflete o esforço de exportadores para manter o abastecimento em meio à elevação dos custos de frete, seguros e operações logísticas alternativas. Com restrições marítimas no Golfo, empresas passaram a recorrer a transbordos rodoviários e aéreos para garantir a chegada dos produtos aos destinos finais. “Os exportadores encontraram soluções logísticas para colocar seus produtos na região, ainda que a custos maiores. E os mercados árabes, mesmo nessa situação, ainda geram receitas expressivas, especialmente nas categorias do agronegócio, das quais dependem para a segurança alimentar de suas populações”, afirma o secretário-geral da Câmara Árabe, Mohamad Mourad.
Desempenho do açúcar compensa perdas do frango
O açúcar brasileiro teve um dos desempenhos mais fortes no período. As vendas ao CCG cresceram 28,74% entre janeiro e abril, alcançando US$ 442,59 milhões. A Arábia Saudita ampliou as compras em 46,35%, enquanto Omã registrou salto de 6.332,27% nas importações do produto brasileiro, mesmo com parte dos portos do país afetados pelas restrições no Estreito de Ormuz.

A carne bovina também manteve trajetória positiva no quadrimestre, com crescimento de 28,77% e receitas de US$ 219,30 milhões. Os embarques avançaram em todos os países do bloco. Em abril, porém, os dados já indicaram desaceleração, com queda de 46,9% nas receitas frente a março.
O frango, principal item da pauta exportadora brasileira para a região, acumula retração de 5,98% no ano, somando US$ 791,19 milhões. Ainda assim, o Catar ampliou as compras em 13,82%, para US$ 70,29 milhões, utilizando rotas alternativas via portos sauditas no Mar Vermelho, além de transporte terrestre e aéreo para manter o abastecimento.
Milho e café mostram recuperação

Após praticamente zerar os embarques em março, o milho voltou a ganhar espaço em abril, com vendas de US$ 11,8 milhões. No acumulado do ano, as exportações do grão avançam 11,69%, totalizando US$ 73,01 milhões, impulsionadas sobretudo por negócios com Kuwait e Emirados Árabes Unidos.
O café aparece entre os destaques do quadrimestre, com crescimento de 58,5% nas receitas, que chegaram a US$ 64,67 milhões. Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Omã lideraram o movimento de compras, em um cenário interpretado pelo mercado como recomposição de estoques diante das incertezas logísticas e geopolíticas na região.
