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Mung bean becomes a source of income for farmers.

As exportações de feijão-mungo-verde do Quênia dispararam no primeiro trimestre de 2026, impulsionadas pela demanda internacional e pela adaptação da cultura às regiões semiáridas do país. Segundo dados divulgados pela Autoridade de Agricultura e Alimentação (AFA), os embarques saltaram de 355,82 toneladas no mesmo período de 2025 para 6.233,20 toneladas até março deste ano, gerando 835,52 milhões de xelins quenianos em divisas. As informações foram publicadas por The Kenyan Diaspora e divulgadas pelo Instituto Brasileiro do Feijão, Pulses e Colheitas Especiais (Ibafe).

O desempenho consolidou o bean-mungo-verde, conhecido localmente como ndengu, como a pulse de exportação que mais cresce no país. O avanço abre novas oportunidades de renda para milhares de pequenos agricultores das regiões áridas e semiáridas, onde a cultura apresenta resistência à seca e ciclo curto de produção.

Segundo dados divulgados pela AFA, o resultado do primeiro trimestre de 2026 reforça a crescente demanda por leguminosas quenianas em mercados da Ásia, África e outras regiões.

A trajetória de crescimento já vinha sendo observada em 2025. No trimestre encerrado em setembro daquele ano, as exportações mais que dobraram, passando de 5.519,55 toneladas para 13.241,49 toneladas, em um cenário de demanda internacional sustentada pela tolerância da cultura à seca.

A Tailândia esteve entre os principais compradores nesse período, com importações superiores a 5 mil toneladas, avaliadas em mais de US$ 4,2 milhões. Os Emirados Árabes Unidos e a Indonésia também figuraram entre os principais destinos, adquirindo volumes significativos.

No primeiro trimestre de 2026, o mercado de exportação ficou mais diversificado. Segundo dados divulgados pela AFA, Hong Kong foi o maior destino do feijão-mungo-verde queniano, com 22,33% do volume total exportado. A Tailândia apareceu em seguida, com 20,37%.

Outros mercados importantes foram Sudão do Sul, República Democrática do Congo, Filipinas, Singapura, Paquistão e Indonésia. Remessas menores também foram destinadas à Índia, aos Países Baixos, à África do Sul, ao Catar e ao Reino Unido.

A ampliação dos destinos reduz a dependência do Quênia de um grupo restrito de compradores e aumenta a capacidade do setor de enfrentar oscilações na demanda internacional.

O crescimento das exportações também tem impacto direto sobre as comunidades rurais. A cultura ganhou espaço especialmente em áreas áridas do país, onde os agricultores enfrentam períodos prolongados de seca e condições climáticas adversas.

Pesquisas da Organização de Pesquisa Agrícola e Pecuária do Quênia (KALRO) indicam que quase 90% da produção nacional de feijão-mungo-verde está concentrada na região leste.

Condados como Kitui, Makueni, Tharaka Nithi e Machakos permanecem entre os principais polos produtores, com milhares de agricultores dependendo da cultura como fonte de renda.

O feijão-mungo-verde apresenta vantagens para essas regiões por exigir menos água e insumos relativamente modestos. O ciclo curto e a resistência à seca também tornam a cultura uma alternativa para produtores que enfrentam padrões climáticos mais imprevisíveis.

O avanço das vendas externas, portanto, vai além do aumento dos embarques. O movimento pode contribuir para elevar a renda das famílias, fortalecer as economias rurais e ampliar a estabilidade financeira de comunidades vulneráveis às quebras de safra provocadas pela seca.

Embora o feijão-mungo-verde tenha liderado o crescimento das exportações de pulses do Quênia, outras leguminosas também apresentaram desempenho relevante no primeiro trimestre de 2026.

Segundo dados divulgados pela AFA, o feijão-guandu registrou exportações de 6.741,34 toneladas no período, gerando US$ 4,8 milhões em receitas. A Índia permaneceu como principal mercado, responsável por mais de 71% do volume, equivalente a aproximadamente 4.825 toneladas avaliadas em US$ 3,5 milhões.

Os Emirados Árabes Unidos ficaram em segundo lugar, com importações superiores a 1.100 toneladas. Bélgica e Cabo Verde também apareceram entre os destinos do feijão-guandu queniano.

O feijão-fradinho, por sua vez, foi exportado em menor volume, mas também gerou divisas. O Quênia embarcou 908 toneladas no trimestre e arrecadou US$ 700 mil.

Segundo dados divulgados pela AFA, a Índia respondeu por todo o volume exportado de feijão-fradinho, reforçando a importância do país para o comércio exterior de leguminosas do Quênia.

O desempenho das diferentes pulses indica uma presença crescente dos produtos agrícolas quenianos no mercado internacional e maior capacidade de atender aos padrões globais de qualidade.

Para manter o ritmo de expansão, o setor deverá continuar investindo em variedades de sementes melhoradas, práticas agronômicas, sistemas eficientes de agregação e manejo pós-colheita, conforme apontado no material.

A ampliação do acesso a sementes certificadas, o fortalecimento das cooperativas agrícolas e os investimentos em agregação de valor também podem elevar a competitividade do Quênia e aumentar os retornos obtidos pelos produtores.

Com a demanda global por alimentos nutritivos, sustentáveis e à base de plantas em crescimento, o feijão-mungo-verde ganha espaço entre as exportações agrícolas mais promissoras do Quênia.

Para os agricultores dos condados semiáridos, a cultura deixa de representar apenas um alimento tradicional e passa a ocupar um papel cada vez mais relevante na geração de renda e nas oportunidades de inserção do país nas cadeias internacionais de alimentos.

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