
A semana fechou com o corn a R$ 67,74 por saca de 60 quilos, o rice em casca gaúcho a R$ 76,20 por saca de 50 quilos e a arroba do boi gordo a R$ 345,70, todos em referência de 20 de agosto. O dólar comercial ficou perto de R$ 5,14 na sexta-feira.
Pela lógica de mercado, safra recorde chegando derruba preço. Não foi o que aconteceu com o corn em agosto.
O Indicador ESALQ/B3 do corn fechou 20 de agosto a R$ 67,74, com alta de 0,52% no dia. O indicador estava em R$ 65,02 no dia 7 e passou por R$ 66,09 no dia 13. São quatro altas consecutivas no fim da semana e nove sessões de valorização nas últimas dez.
O resultado é de 2,5% de alta na semana e cerca de 4,2% no acumulado de agosto até o dia 20, em cálculo do Agrolink sobre a série do Cepea. E isso com a Conab projetando 142,96 milhões de toneladas de corn na safra 2025/26.
O que segura o preço do corn não é falta de grão, é falta de grão disponível. Produtor retraído nas vendas, colheita da segunda safra ainda em andamento em parte das lavouras e compradores recompondo estoque limitam a oferta no mercado spot. O volume existe, mas não chega todo ao balcão ao mesmo tempo.
Na B3, o contrato de setembro de 2026 rondou R$ 71,20 por saca na sexta-feira. Em Chicago, o vencimento de dezembro operou acima de US$ 5,00 por bushel.
Na soy, o indicador em Paranaguá seguiu sem grandes movimentos. O contrato de novembro na B3 ficou perto de US$ 27,30 por saca, e Chicago fechou a semana com setembro na casa de 1.222 a 1.225 centavos de dólar por bushel.
No rice, a lavoura gaúcha segue firme. O Indicador do rice em casca no Rio Grande do Sul, calculado pelo Cepea em parceria com o Irga, fechou 20 de agosto a R$ 76,20 por saca de 50 quilos, com variação de 0,16%.
No mercado físico, as referências ficaram acima do indicador. Em Capivari do Sul, a Coripil pagava R$ 82,00 pela saca de 50 quilos. Em Pelotas, a Cereagro marcava R$ 80,00, e a média do Rio Grande do Sul ficou em R$ 79,00. Em Rio do Sul, Santa Catarina, a Cravil pagava R$ 66,00.
A distância entre a porteira e a indústria fica evidente quando se olha para o atacado. No Paraná, o rice agulhinha em casca era cotado a R$ 108,03 por saca no levantamento do Deral/Seab.
Na carne, a arroba cedeu, mas o futuro aponta para cima. O Indicador do boi gordo Cepea/B3 fechou 20 de agosto a R$ 345,70 por arroba à vista, com alta de 0,25%. A média de São Paulo a prazo ficou em R$ 349,45. A leitura do Cepea na semana foi de arroba perdendo força enquanto os valores da carne seguem firmes no atacado.
A curva futura conta outra história. Na B3, o contrato de agosto fechou a R$ 345,75 e o de setembro, a R$ 355,80. Outubro subiu para R$ 365,00, novembro para R$ 368,00 e dezembro para R$ 370,00. Janeiro de 2027 marcou R$ 375,90 e fevereiro, R$ 376,00. Da ponta curta à longa, o mercado precifica valorização de aproximadamente 8,7%.
No físico, o spread regional é grande. O Noroeste do Paraná e Santa Catarina pagavam R$ 355,50 por arroba à vista, enquanto o Acre marcava R$ 306,00, segundo levantamento da Scot Consultoria. São mais de 16% de diferença entre as duas pontas do país.
No Rio Grande do Sul, a referência é por quilo: R$ 12,55 no Oeste e R$ 12,65 em Pelotas, à vista. A vaca gorda ficou em R$ 11,35 e R$ 11,50, respectivamente. Na reposição, o Indicador do bezerro em Mato Grosso do Sul fechou a R$ 3.396,06 por cabeça.
No mercado externo, o café arábica para setembro fechou a 361,45 centavos de dólar por libra em Nova York, enquanto o contrato do mesmo vencimento na B3 marcou R$ 419,00 por saca. O açúcar para outubro ficou em 17,60 centavos de dólar por libra e o cotton do mesmo vencimento, em 87,58 centavos.
O dólar comercial fechou a semana perto de R$ 5,14, em queda no dia. O Boletim Focus divulgado em 17 de agosto manteve a projeção da moeda em R$ 5,20 para o fim de 2026, com Selic em 13,75% ao ano, IPCA em 5,02% e PIB em 1,98%. A taxa básica está hoje em 14% ao ano, depois do corte de 0,25 ponto decidido pelo Copom em 5 de agosto.
Real mais forte é bom para quem compra insumo e ruim para quem vende commodity. Vale acompanhar.
Preço isolado, porém, diz pouco. O que importa para a decisão dentro da porteira é quanto um produto compra do outro.
Na relação de troca boi/corn, com a arroba a R$ 345,70 e a saca de corn a R$ 67,74, são necessárias cerca de 5,1 sacas de corn para comprar uma arroba de boi gordo. É o indicador direto da margem do confinamento.
Na reposição, com o bezerro do Mato Grosso do Sul a R$ 3.396,06 e a arroba a R$ 345,70, o pecuarista precisa de aproximadamente 9,8 arrobas para comprar um bezerro. Quanto maior o número, mais apertada fica a conta de quem compra animal para engordar. Ambos os cálculos são do Agrolink, a partir dos indicadores publicados pelo Cepea nas datas citadas.
Para a próxima semana, três pontos merecem atenção: se o corn sustenta a sequência de altas ou se a entrada de lotes retidos começa a pressionar; o comportamento do câmbio, que define a paridade de exportação de soy, corn e açúcar e a paridade de importação do wheat; e a leitura do Cepea sobre a demanda por carne no atacado, que hoje é o que sustenta a arroba.
