
THE corn registrou forte valorização em agosto, tanto no Brasil quanto no mercado internacional, impulsionado pela redução das expectativas de oferta nos Estados Unidos, pela piora das lavouras norte-americanas e pela retenção de vendas entre produtores brasileiros. Em Sorriso, Mato Grosso, o cereal acumulou alta mensal de 12%.
Segundo a Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço médio em Sorriso chegou a R$ 47 por saca em agosto. Na Bolsa de Chicago, o primeiro vencimento do milho apresentou média de US$ 4,68 por bushel, avanço de 5,7% na comparação com julho.
A mudança de percepção no mercado internacional ganhou força depois que o USDA indicou maior demanda pelas exportações dos Estados Unidos e redução dos estoques finais. Embora a produção norte-americana continue elevada, o aumento do consumo reduziu a expectativa de excedente disponível.
O clima também trouxe preocupação. Ao final de agosto, apenas 57% das lavouras norte-americanas estavam classificadas em condições boas ou excelentes. Um ano antes, esse percentual era de 69%. O calor e a baixa umidade atingiram áreas das Planícies e do oeste do cinturão produtor.
Outro fator veio do Mar Negro. Ataques à infraestrutura portuária russa aumentaram os riscos logísticos e adicionaram prêmio às cotações internacionais, já que a região mantém participação relevante no abastecimento mundial de cereais.
No Brasil, a valorização ocorreu mesmo durante o avanço da colheita da segunda safra. Parte dos produtores optou por restringir vendas no mercado disponível, apostando em novas altas, enquanto compradores domésticos realizaram aquisições pontuais para recompor estoques.
As exportações brasileiras, no entanto, perderam força. Os embarques de agosto ficaram em 4,7 milhões de toneladas, queda de 32% frente ao mesmo mês de 2025. A concorrência de Estados Unidos e Argentina reduziu a competitividade do milho brasileiro.
Para a safra 2026/27, a atenção começa a se voltar para a América do Sul. A Argentina pode colher 67,5 milhões de toneladas e, dependendo das condições climáticas, alcançar cerca de 70,5 milhões. No Brasil, a Emater projeta crescimento de 7,4% na área de milho verão no Rio Grande do Sul, enquanto o Deral prevê expansão de 2% no Paraná.
