
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou que não há, neste momento, preocupação com desabastecimento de fertilizantes no Brasil. Durante coletiva no 15º Congresso Brasileiro do Algodão, em Belo Horizonte (MG), ele disse que o governo tem buscado fornecedores alternativos no exterior e, paralelamente, trabalha para ampliar a produção nacional de insumos. A participação do ministro no congresso ocorreu durante agenda oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária em Minas Gerais.
Uma das medidas destacadas pelo ministro foi um compromisso de fornecimento de 3,8 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados firmado durante missão recente ao Marrocos.
“Lá no Marrocos, ao lado de muitos empresários brasileiros que acompanharam a nossa missão, tivemos a alegria de assinar um compromisso de fornecimento de 3,8 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados. Isso é algo em torno de 80% do que nós precisamos”, afirmou.
Segundo André de Paula, a busca por novos fornecedores faz parte do que o Ministério da Agricultura chama de “diplomacia dos fertilizantes”, estratégia voltada à construção de relações internacionais para garantir os insumos necessários ao agronegócio brasileiro diante das incertezas provocadas pelos conflitos internacionais.
“Eu diria que o fantasma do desabastecimento, neste momento, está afastado”, declarou.
Dependência externa ainda desafia o Brasil
Apesar da avaliação sobre o abastecimento no curto prazo, o ministro reconheceu que a elevada dependência das importações continua sendo um desafio estrutural para o país.
Segundo ele, o Brasil importa mais de 90% dos fertilizantes que utiliza, situação que torna a produção agropecuária mais exposta às condições do mercado internacional.
Para enfrentar essa dependência, André de Paula destacou o Programa Nacional de Fertilizantes e um conjunto de medidas de curto e longo prazo destinadas a ampliar a produção doméstica.
“O Programa Nacional de Fertilizantes tem um conjunto de ações previstas, tanto de curto quanto de longo prazo. Ele é muito importante”, disse.
Entre as iniciativas citadas está a retomada da produção em unidades de fertilizantes ligadas à Petrobras.
De acordo com o ministro, três fábricas já foram retomadas e estão produzindo. A produção de ureia nas unidades da Bahia, Sergipe e Paraná foi retomada, segundo informações divulgadas pela Petrobras.
A próxima etapa envolve a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III, a UFN-III, localizada em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul.
“Quando a quarta fábrica estiver pronta, nós teremos atingido uma marca de cerca de 35% do que nós precisamos”, afirmou André de Paula.
A Petrobras também informa que, com a entrada da UFN-III, a expectativa é que a companhia possa atender aproximadamente 35% do mercado nacional de ureia.
Para o ministro, ampliar a produção interna é uma das formas de reduzir a exposição do agronegócio brasileiro às oscilações internacionais.
“Esse é um desafio que está sendo encarado com profissionalismo, com seriedade e com um planejamento de longo prazo”, afirmou.
Navios com fertilizantes ganham prioridade
Além de garantir fornecedores, o governo também trabalha sobre a logística de entrada dos fertilizantes no país.
André de Paula afirmou que houve uma articulação com o Ministério de Portos e Aeroportos para priorizar navios carregados com fertilizantes durante o período de início da safra.
Segundo ele, o acúmulo de embarcações nos portos pode aumentar o tempo necessário para o desembarque dos insumos e afetar a distribuição justamente no momento de maior demanda no campo.
“Nós estamos agora em pleno início de safra e, muitas vezes, os portos, como têm um acúmulo de embarcações, acabam dilatando os prazos. Temos consciência de que, neste momento, precisamos agilizar esse processo”, explicou.
A medida, conforme o ministro, busca acelerar a entrada dos produtos e reduzir riscos logísticos para produtores que dependem dos fertilizantes para implantação das lavouras.
Ministro também descarta falta de diesel
Outro ponto abordado na coletiva foi o abastecimento de óleo diesel diante dos conflitos internacionais.
André de Paula afirmou que não há, neste momento, indicação concreta de que possa ocorrer falta do combustível durante a safra.
“Não há nenhum indicativo de que isso possa acontecer”, disse.
O ministro também comentou informações sobre problemas pontuais de abastecimento no Rio Grande do Sul. Segundo ele, eventuais ocorrências podem ter caráter localizado e devem ser acompanhadas pelos órgãos responsáveis.
“Não há nenhuma expectativa, neste momento, que se funde em algo concreto em relação a um possível desabastecimento de diesel. Quero tranquilizar os nossos produtores de que tudo o que depende do governo será feito para que a gente não tenha solução de continuidade”, afirmou.
El Niño mobiliza ações
As condições climáticas também entraram na coletiva. André de Paula afirmou que o governo já começa a perceber efeitos do El Niño e que uma força-tarefa envolvendo 24 ministérios foi estruturada para responder aos possíveis impactos.
Segundo o ministro, os trabalhos são coordenados pela Casa Civil e envolvem, além da agricultura, áreas como saúde e Defesa Civil.
“Todos os aspectos, todos os desdobramentos que podem decorrer, sejam eles nas questões relativas à agricultura, à saúde ou à Defesa Civil, foram pensados”, afirmou.
De acordo com André de Paula, há previsão de R$ 1,3 bilhão para as ações relacionadas aos impactos do fenômeno.
A preocupação ocorre justamente no início de uma nova safra, período em que as condições climáticas passam a ter influência direta sobre a implantação e o desenvolvimento das culturas.
Governo se aproxima da meta de 700 mercados
Na área de comércio exterior, André de Paula informou que o Brasil chegou à marca de 693 mercados abertos desde o início do atual governo e está próximo da meta de 700.
“Nós nos impusemos, no início do governo, uma meta de 700 mercados. Estamos em 693 e rapidamente, talvez ainda este mês, a gente bate os 700 e supera essa meta”, declarou.
O ministro atribuiu o avanço à qualidade dos produtos brasileiros e ao trabalho relacionado à defesa sanitária e à abertura de destinos internacionais.
Durante a coletiva, ele também destacou a posição brasileira no mercado mundial de algodão e afirmou que o atual Congresso Brasileiro do Algodão ocorre em um momento no qual o país é reconhecido como maior exportador mundial da fibra.
Para André de Paula, o resultado está relacionado à atuação dos produtores.
“Marcas como essa são o testemunho da eficiência e da competência dos nossos produtores”, afirmou.
Plano Safra e endividamento seguem em acompanhamento
Questionado sobre o Plano Safra e o endividamento dos produtores, o ministro afirmou que o tema é acompanhado diariamente pela Secretaria de Política Agrícola.
André de Paula não apresentou, durante a coletiva, números atualizados sobre a situação do endividamento, mas disse que o acompanhamento ocorre durante toda a execução do Plano Safra.
“Essa é uma questão que é acompanhada pela nossa Secretaria de Políticas Agrícolas todos os dias. Eu pessoalmente não poderia responder em que etapa nós estamos, mas quero garantir que, como essa é uma questão muito importante para o nosso setor, nós acompanhamos esse processo”, declarou.
O ministro também citou medidas relacionadas ao seguro rural e afirmou que o endividamento continua entre os temas sobre os quais o governo vem atuando.
No caso dos fertilizantes, foco principal da coletiva para o início da safra, André de Paula reforçou que a estratégia combina ampliação da produção nacional, diversificação dos fornecedores internacionais e medidas logísticas para assegurar a chegada dos insumos ao produtor.
“Diplomacia dos fertilizantes”, resumiu o ministro ao explicar a busca por alternativas para reduzir os riscos de abastecimento.
