Pular para o conteúdo Pular para a barra lateral Pular para o rodapé

Milho: exportações brasileiras perdem força e elevam risco de queda nos preços

O mercado do milho enfrenta desafios no Brasil em meio à desaceleração das exportações, ao aumento da concorrência internacional e à valorização do real. Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA), o cenário pode dificultar o cumprimento da meta de embarques em 2026 e pressionar as cotações internas, apesar da demanda nacional.

Na Bolsa de Chicago, o bushel de milho voltou a superar US$ 5,00 ao longo da semana. Na quinta-feira (8), véspera da divulgação do novo relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o contrato encerrou cotado a US$ 5,00, ante US$ 5,02 registrados uma semana antes. Até 4 de outubro, a colheita norte-americana havia alcançado 23% da área semeada, abaixo da média histórica de 27%. Entre as lavouras ainda por colher, 54% apresentavam condições boas a excelentes, 28% estavam em situação regular e 18% eram classificadas como ruins a muito ruins.

As exportações semanais dos Estados Unidos também ficaram próximas do limite inferior das expectativas do mercado. Na semana encerrada em 24 de setembro, os embarques somaram 536 mil toneladas.

No Brasil, os preços do cereal permanecem firmes. As principais praças do Rio Grande do Sul registraram cotações de R$ 62,00 por saca, enquanto, nas demais regiões do país, os valores oscilaram entre R$ 52,00 e R$ 63,00 por saca.

A colheita da segunda safra de milho foi encerrada no Brasil. No Mato Grosso do Sul, a produtividade média chegou a 122,8 sacas por hectare, com produção final estimada em 16,2 milhões de toneladas.

Para a safra 2025/26, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma produção nacional de 112,1 milhões de toneladas, volume ainda sujeito a revisões. Na temporada anterior, o país havia produzido 113,2 milhões de toneladas. Enquanto isso, o plantio da safra de verão de 2027 alcançou 30,8% da área prevista até 2 de outubro. O percentual supera os 29,1% registrados no mesmo período do ano passado e a média histórica de 27,9%.

Apesar da maior disponibilidade do cereal após a colheita, as exportações brasileiras perderam força. Segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil embarcou 5,21 milhões de toneladas de milho em setembro, volume 31,1% inferior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No trimestre de julho a setembro, os embarques somaram 11,8 milhões de toneladas, ante 16,8 milhões no mesmo período de 2025, uma queda de quase 30%.

De janeiro a setembro, as exportações totalizaram 19,7 milhões de toneladas, contra 23,3 milhões nos nove primeiros meses de 2025. A diferença representa 3,6 milhões de toneladas a menos embarcadas neste ano.

Entre os fatores que ajudam a explicar o recuo estão a maior concorrência internacional, especialmente da Argentina, e a redução da demanda iraniana em meio à guerra. O Irã é apontado como o principal comprador do milho brasileiro.

Diante desse cenário, a expectativa do mercado para as exportações brasileiras em 2026 caiu de 43 milhões para 38 milhões de toneladas. Em contrapartida, a Argentina deverá colher entre 68 milhões e 72 milhões de toneladas e espera exportar 43 milhões de toneladas entre março de 2026 e fevereiro de 2027, período correspondente ao seu ano comercial. A valorização recente do real também tende a reduzir a competitividade do milho brasileiro no mercado externo.

Para alcançar a nova meta de exportação, o Brasil precisaria acelerar significativamente os embarques nos próximos meses. A estimativa apresentada pela CEEMA indica a necessidade de exportar cerca de 17 milhões de toneladas entre outubro e janeiro, mês de encerramento do ano comercial brasileiro 2026/27.

Caso parte da oferta permaneça no mercado interno por causa do menor volume exportado, os preços nacionais poderão sofrer pressão baixista, mesmo com o aumento da demanda doméstica. Nesse contexto, a localização dos compradores e o volume efetivamente adquirido ganham importância para a formação das cotações. Não basta que exista demanda pelo cereal: a distribuição geográfica dessa procura também influencia a capacidade de absorver a oferta disponível.

Desde 2023, o Brasil se tornou o maior fornecedor de milho para a China. Entretanto, o mercado chinês vem diminuindo a participação do cereal na alimentação animal, o que pode limitar o potencial de crescimento das compras brasileiras. Em outubro, o custo estimado do milho brasileiro entregue na China, dentro da cota de importação, era de US$ 332,00 por tonelada. O cereal disponível no mercado chinês custava aproximadamente US$ 360,00 por tonelada, favorecendo a aquisição do produto brasileiro.

A competitividade também aparece na comparação com os Estados Unidos. Mesmo com a retirada de uma tarifa adicional de dez pontos percentuais, o milho norte-americano chegaria à China por US$ 349,00 por tonelada pela Costa Oeste e US$ 370,00 pelo Golfo.

Nessas condições, o produto brasileiro permaneceria US$ 17,00 e US$ 38,00 por tonelada mais barato, respectivamente. Isso indica que uma eventual redução das tarifas chinesas sobre o milho norte-americano não eliminaria automaticamente a vantagem brasileira. Por outro lado, a Argentina também disputa esse mercado com preços competitivos. O custo estimado do milho argentino entregue na China é de US$ 313,00 por tonelada, abaixo do valor projetado para o produto brasileiro.

O principal ponto de atenção está na composição das rações utilizadas na China. A participação do milho nessas formulações caiu de 47% em janeiro para 29% em agosto, enquanto trigo, cevada e sorgo passaram a ocupar parte desse espaço. Na prática, as fábricas chinesas estão recorrendo a outros ingredientes para alimentar os animais. Com isso, a necessidade de milho diminui em comparação com um cenário em que o cereal mantivesse sua participação anterior.

Segundo informações atribuídas à Terra Investimentos, até julho a China havia utilizado apenas 1,4 milhão de toneladas de sua cota de importação de milho, de 7,2 milhões de toneladas. A existência de espaço disponível na cota, porém, não garante que o país realizará compras suficientes para preenchê-la. Assim, embora o milho brasileiro apresente vantagem de preço em relação ao produto norte-americano e ao cereal disponível no mercado chinês, o efeito sobre as cotações dependerá do volume efetivamente importado pelos compradores chineses.

A participação brasileira no mercado chinês também envolve produtos que concorrem com o milho na alimentação animal. Para 2026, há potencial de exportação de 2 milhões a 3 milhões de toneladas de sorgo brasileiro para a China. Em agosto, as ofertas brasileiras de sorgo variavam entre US$ 300,00 e US$ 310,00 por tonelada, enquanto o produto norte-americano era cotado a US$ 391,00 por tonelada.

O Brasil também respondeu por 100% dos DDGS importados pela China em 2026 até julho. Os DDGS são coprodutos obtidos durante o processamento de grãos para a produção de etanol e utilizados como ingredientes para ração animal. Essa participação corresponde às importações chinesas de DDGS, e não ao mercado de rações como um todo.

Para a cadeia brasileira do milho, esse movimento tem efeitos distintos. Na China, o uso de ingredientes alternativos pode limitar as compras do cereal. No Brasil, por sua vez, a comercialização dos coprodutos pode melhorar a receita das usinas e favorecer economicamente o processamento industrial do milho, contribuindo para sustentar a demanda interna.

O principal indicador a acompanhar, portanto, é a conversão da vantagem competitiva em compras efetivas. O milho brasileiro tem condições de disputar o mercado chinês, mas o impacto positivo sobre os preços nacionais dependerá de uma demanda suficiente para absorver a oferta disponível, conforme análise atribuída à Terra Investimentos.

A Bela Cereais trabalha com os melhores grãos do mercado e também deixa você por dentro das últimas novidades e análises sobre do agronegócio.
Não se esqueça de seguir nossas redes sociais.

Acessar Fonte da Notícia