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Pecuária catarinense alcança recordes de produção e exportações em 2025

A pecuária de Santa Catarina encerrou 2025 com resultados históricos e consolidações importantes nos mercados interno e externo. A produção de bovinos, frangos e suínos atingiu marcas recordes, enquanto as exportações avançaram e reforçaram a posição do estado como um dos principais polos de proteína animal do país. O desempenho foi sustentado pela forte demanda internacional, ganho de competitividade e eficiência produtiva no campo.

O analista de Socioeconomia e Desenvolvimento Rural da Epagri/Cepa, Alexandre Luís Giehl, avalia que 2026 tende a ser um ano favorável para a pecuária catarinense. Na avicultura, a retomada das vendas para a China e a União Europeia deve impulsionar as exportações, enquanto o mercado interno pode ganhar fôlego com a valorização da carne bovina e a melhora da renda. Na suinocultura, as exportações seguem firmes, com destaque para o México, e a combinação de demanda interna consistente e custos estáveis pode melhorar a rentabilidade. Já na bovinocultura, a menor oferta de animais sustenta os preços, embora haja desafios no mercado externo.

“Na avicultura, a reabertura de mercados como China e União Europeia tende a aquecer as exportações, e o frango deve ganhar espaço no consumo interno. A suinocultura mantém bom desempenho externo e pode ter melhora de margens no mercado doméstico. Na bovinocultura, a oferta mais restrita sustenta os preços, mas a taxação chinesa acima da cota pode limitar as vendas. O acordo entre o Mercosul e a União Europeia é positivo para todos os setores, embora seus efeitos devam ser percebidos mais à frente”, afirma Alexandre Luís Giehl.

No vídeo abaixo, Alexandre Luís Giehl, da Epagri/Cepa fala da como combinação entre demanda externa aquecida, eficiência produtiva e mercado interno fortalecido levou Santa Catarina a registrar esses  recordes históricos na pecuária catarinense em 2025.

Bovinocultura de corte

Os preços do boi gordo oscilaram ao longo de 2025, mas passaram a subir com mais força a partir de agosto, impulsionados pelas exportações nacionais aquecidas e pela maior demanda interna no fim do ano. Na comparação entre dezembro de 2025 e dezembro de 2024, com valores corrigidos pelo IGP-DI, houve alta em Santa Catarina (2,3%), Paraná (3,3%), Goiás (0,3%) e Mato Grosso do Sul (0,2%). Já Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso e São Paulo registraram queda real.

Em Santa Catarina, seis das dez regiões tiveram aumento de preços, com destaque para o Alto Vale do Itajaí (16,1%) e Planalto Sul (11,8%). No atacado, a carne bovina subiu em média 4,7% no ano. Os custos de produção também avançaram. O preço dos bezerros teve alta real de 13,4% em 2025, e o dos novilhos, de 5,2%, pressionando a margem dos produtores.

As exportações bateram recorde e ajudaram a consolidar o cenário de altas descrito anteriormente. O Brasil embarcou 3,46 milhões de toneladas de carne bovina em 2025, com receita de US$ 17,94 bilhões.

A China manteve a liderança entre os destinos, e Santa Catarina exportou 2,67 mil toneladas, com faturamento de US$ 12 milhões.

A produção de bovinos em Santa Catarina alcançou um resultado histórico. Em 2025, foram abatidas 761,3 mil cabeças no estado, volume 11,2% superior ao registrado no ano anterior. Do total, as fêmeas responderam por 55,5% dos abates, movimento que sinaliza uma mudança no ciclo pecuário catarinense.

Para 2026, a expectativa é de menor oferta de animais e valorização do boi gordo. No cenário externo, a medida de proteção comercial imposta pela China traz incertezas, enquanto o acordo Mercosul–União Europeia abre oportunidades no médio prazo.

Avicultura

A avicultura catarinense encerrou 2025 com produção recorde, exportações fortes e cenário positivo para 2026. Os preços do frango vivo subiram 4,1% em Santa Catarina no comparativo anual, com destaque para o Meio-Oeste (+10,9%). No atacado, porém, os cortes fecharam o ano em queda média de 2,7%, pressionados pelo aumento da oferta interna e pelos embargos ligados à influenza aviária.

O Brasil exportou 5,16 milhões de toneladas de carne de frango em 2025, e Santa Catarina respondeu por 1,20 milhão de toneladas, com faturamento recorde de US$ 2,45 bilhões. A produção estadual atingiu 910,5 milhões de frangos, o melhor resultado desde 2014.

Para 2026, a expectativa é de crescimento sustentado pelas exportações, com retomada de mercados como China e União Europeia, além de maior consumo interno diante da tendência de alta da carne bovina. O cenário é favorável, condicionado à manutenção do rigor sanitário.

Suinocultura

A suinocultura encerrou 2025 com produção e exportações históricas, apesar das oscilações nos preços ao longo do ano. Após forte queda no início de 2025, o mercado se recuperou gradualmente. Na comparação entre janeiro e dezembro, os preços do suíno vivo subiram em todos os principais estados. Em Santa Catarina, a alta foi de 3,7% (considerando a inflação do período). No atacado, a carne suína teve valorização expressiva, com aumento médio de 11,1% nos principais cortes.

Os custos de produção avançaram de forma moderada. Em dezembro, o custo em ciclo completo em Santa Catarina ficou em R$ 6,48 por quilo, 5,7% acima de dezembro de 2024. A ração segue como principal componente, com 71,5% do custo total. Os preços dos leitões também subiram no ano, mas, por outro lado, a relação de troca entre o suíno vivo e o milho melhorou, favorecendo o produtor.

As exportações foram o grande destaque. O Brasil embarcou 1,47 milhão de toneladas de carne suína em 2025, com receita de US$ 3,58 bilhões, o melhor resultado da série histórica. Santa Catarina respondeu por 748,8 mil toneladas e US$ 1,85 bilhão, liderando o ranking nacional com mais de 50% das exportações do país. A produção catarinense também bateu recorde, com 18,3 milhões de suínos, alta de 2,1% e maior volume da história.

Para 2026, a expectativa é de continuidade do crescimento, sustentada pela diversificação de mercados, pela demanda externa firme e por um mercado interno aquecido. O acordo Mercosul–União Europeia abre oportunidades no médio prazo, enquanto a possível restrição das exportações para o México exige atenção. No geral, o cenário é positivo para a suinocultura, com custos sob controle e boas perspectivas de rentabilidade.

Boletim Agropecuário de Santa Catarina

O Boletim Agropecuário é uma publicação mensal produzida pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri (Cepa). A edição reúne informações atualizadas sobre produção, preços, clima e mercado, funcionando como um termômetro do desempenho do agronegócio catarinense. O conteúdo completo deste mês está disponível neste link.

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