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Trigo: chuvas elevam risco de queda na qualidade dos grãos

A safra de trigo do Rio Grande do Sul avança para as etapas finais, mas a sequência de chuvas, a elevada umidade, a baixa luminosidade, o granizo e os ventos fortes reduziram o potencial produtivo e aumentaram os riscos à qualidade dos grãos, segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar. A área projetada para a safra 2026 é de 814.220 hectares, com produtividade média estimada em 2.701 kg/ha.

Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, 60% das lavouras estão em enchimento de grãos, enquanto 27% chegaram à maturação. A colheita já começou nas áreas mais precoces e representa 4% dos cultivos. As condições meteorológicas, porém, alteraram as perspectivas inicialmente projetadas para a safra. No Centro-Oeste e no Noroeste do estado, os eventos registrados provocaram acamamento, debulha de espigas e perdas de estruturas reprodutivas em áreas atingidas por granizo.

A sequência de chuvas também aumentou a preocupação com a qualidade do trigo nas lavouras em maturação. A elevada umidade pode reduzir o Peso Hectolitro (PH) e favorecer a atividade enzimática associada à germinação pré-colheita. Esse processo resulta em menores valores de falling number, índice de queda utilizado para avaliar essa atividade enzimática, prejudicando as características e o uso tecnológico dos grãos.

Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, a elevada umidade durante o período reprodutivo favoreceu a ocorrência de giberela, manchas foliares, ferrugens, oídio e outras doenças. O excesso de chuvas também dificultou o acesso às lavouras, restringindo a execução dos tratamentos fitossanitários. Na região de Frederico Westphalen, 10% das lavouras estão em florescimento, 60% em enchimento de grãos, 23% em maturação e 7% já foram colhidas. A incidência expressiva de giberela, associada ao excesso de chuva, pode comprometer a produtividade e a qualidade. A estimativa inicial para a região era de 2.965 kg/ha.

Na região de Bagé, em São Borja, metade dos 16 mil hectares cultivados está em maturação, e a colheita deve começar em breve. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, o potencial produtivo permanece satisfatório, mas as chuvas no fim do ciclo geram preocupação quanto à qualidade final dos grãos.

Em Maçambará, a elevada incidência de doenças foliares reduziu o potencial inicialmente estimado. Em São Gabriel, a infestação de azevém tem competido com a cultura. A redução da área foliar verde durante o enchimento, associada à ocorrência de manchas foliares, pode comprometer o peso dos grãos.

Na região de Ijuí, cerca de 50% dos cultivos estão em enchimento de grãos, 19% em final de floração, 28% em maturação e 3% já foram colhidos. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, o excesso de umidade e os danos provocados por granizo tendem a reduzir o potencial produtivo. Nas áreas em enchimento, foi observada pouca evolução no crescimento dos grãos, enquanto aumentaram os sintomas de doenças nas espigas em final de floração. Em Santo Augusto, as primeiras áreas colhidas alcançaram produtividade de 2.820 kg/ha, com PH 78. A média regional, porém, não ultrapassa 2.400 kg/ha. A diferença está relacionada principalmente às cultivares mais suscetíveis à giberela, que apresentam redução de produtividade e qualidade.

Na região de Passo Fundo, os cultivos estão em enchimento de grãos, mas as chuvas têm dificultado a realização dos tratamentos fitossanitários destinados ao controle de doenças fúngicas. Em Pelotas, 56% das lavouras estão em enchimento de grãos, 36% em florescimento e 8% em desenvolvimento vegetativo. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, a sequência de dias nublados, chuvas e baixa radiação solar prejudicou o enchimento dos grãos. A elevada umidade do solo também dificultou o acesso de máquinas para os tratamentos fitossanitários.

Na região de Caxias do Sul, nos Campos de Cima da Serra, as lavouras estão no final do alongamento do colmo e no início do espigamento. A condição sanitária é considerada adequada, mas o ingresso na fase de espigamento aumenta a exposição das plantas às doenças. Em Santa Maria, as chuvas intensas acompanhadas de vento e granizo registradas no final de setembro deverão provocar redução da produtividade regional. Já em Santa Rosa, 2% dos cultivos estão em floração, 46% em enchimento de grãos, 44% em maturação e 8% já foram colhidos.

Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, os eventos meteorológicos provocaram perdas severas em áreas atingidas por granizo, incluindo acamamento, debulha das espigas e, em determinados locais, perda total das estruturas reprodutivas. O tempo chuvoso e nublado também favoreceu a incidência de giberela e brusone na região.

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