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Inmet: Chuvas irregulares causam impactos em áreas agrícolas no Mato Grosso do Sul

Os acumulados de chuva têm sido distintos no estado de Mato Grosso do Sul nas últimas semanas, impactando a fase final de cultivo da soja e o início do cultivo do milho de segunda safra. A redução e a irregularidade dos eventos de chuva, juntamente com temperaturas mais elevadas têm afetado principalmente as lavouras de soja com semeadura mais tardia, que ainda se encontram em fases fenológicas críticas da cultura. Esse período é decisivo para a definição de componentes de rendimento, como o número de grãos por vagem e o peso de grãos. A situação mais crítica ocorre no setor sul e sudeste do estado, onde o déficit hídrico vem sendo observado de forma mais constante, gerando uma estimativa de perda de produtividade de até 35% até o dia 15 de março (Figura 1).

Essa estimativa foi obtida a partir do SISDAGRO (Sistema de Suporte à Decisão na Agropecuária), sistema que utiliza indicadores agrometeorológicos, como precipitação, evapotranspiração e balanço hídrico do solo, para avaliar o impacto das condições meteorológicas sobre o desenvolvimento das culturas.

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Figura 1: Déficit hídrico e estimativa de perda de produtividade para o período de 10 de dezembro de 2025 a 15 de março de 2026 em Itaquiraí (MS). Fonte: SISDAGRO.

Ressalta-se que, mesmo as áreas localizadas mais ao norte de Mato Grosso do Sul, que vinham apresentando condições hídricas favoráveis ao desenvolvimento das semeaduras tardias e beneficiadas por chuvas mais frequentes durante a fase vegetativa da soja, já começam a registrar déficits hídricos, elevando o risco de perdas agrícolas também nesta região. Observa-se, na Figura 2, o aumento da frequência de déficits hídricos diários entre o final de fevereiro e o início de março, que contribuiu para a elevação da expectativa de perda de produtividade, estimada em até 26,8% até o dia 11 de março. No entanto, com a previsão de novas chuvas para os próximos dias, o déficit hídrico não deverá se intensificar até o dia 15 de março.

O impacto dessas condições nas culturas de segunda safra, entre elas milho, sorgo e pastagens, também resulta em ritmos distintos nos avanços de semeadura e estabelecimento das lavouras. No sul do Mato Grosso do Sul, as semeaduras de milho encontram-se mais avançadas, porém dependem da ocorrência de novos eventos de chuva para favorecer o desenvolvimento inicial das plantas. Já para as áreas do norte do estado o cenário tende a ser mais adequado tanto para a semeadura quanto para o estabelecimento da cultura.

A ocorrência de chuvas regulares favorece a manutenção da umidade do solo e estimula o crescimento das gramíneas forrageiras, contribuindo para maior disponibilidade de alimento para o rebanho. Por outro lado, períodos prolongados de estiagem reduzem a umidade do solo e limitam o crescimento vegetativo, resultando em menor produção de biomassa e redução da capacidade de suporte das áreas de pastejo.

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Figura 2: Déficit hídrico e estimativa de perda de produtividade para o período de 10 de dezembro de 2025 a 15 de março de 2026 em Coxim (MS). Fonte: SISDAGRO.

Previsão de Tempo

A previsão do tempo para os próximos dias indica a continuidade das chuvas no centro‑norte, leste e em áreas do Pantanal sul‑mato‑grossense, com acumulados elevados, variando entre 80 e 200 mm, o que tende a favorecer a manutenção da umidade do solo nessas áreas, sem indicação de déficit hídrico significativo no período previsto, porém as temperaturas médias do ar devem ser manter acima dos 26 ºC. Este cenário pode favorecer as lavouras de segunda safra e pastagens, mas também podem dificultar operações em campo. Em contraste, o sul do estado deve receber baixos volumes de chuva, contribuindo para a manutenção do déficit hídrico no solo, o que mantém o alerta para possíveis perdas nas lavouras da região.

Esse cenário reforça a necessidade de atenção no planejamento das atividades agrícolas na região, recomendando-se o acompanhamento contínuo das atualizações meteorológicas do INMET, bem como o monitoramento das condições de umidade do solo, a fim de subsidiar a tomada de decisão no manejo das lavouras, reduzir riscos operacionais e otimizar o planejamento das operações de campo.

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