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Brasil tem biotecnologia nacional para atender exigências impostas às exportações de carne

As novas tecnologias aplicadas em aditivos nutricionais estão entre as principais soluções buscadas pelos produtores de proteína animal para atender às exigências sanitárias divulgadas pela União Europeia nesta semana.

As alternativas para reduzir o uso de antimicrobianos na criação de aves, bovinos, suínos e peixes estiveram em evidência durante a FENAGRA – Feira Internacional da Agroindústria Feed & Food 2026 (encerrada nesta quinta-feira na Expo Anhembi).

Amaro Borges, diretor comercial

O mercado global de aditivos funcionais sem promotores de crescimento antimicrobianos (AGPs) deve alcançar US$ 7,8 bilhões até 2028, com os probióticos e simbióticos entre as principais ferramentas nutricionais:
“A questão não é se o Brasil vai se adaptar, mas quando. A biotecnologia já está disponível, amplamente validada pela ciência e pelo uso em larga escala. Produtores que anteciparem essa transição têm vantagem em mercados premium, que exigem produção livre de antimicrobianos”, afirma o médico veterinário Amaro Borges, diretor comercial da BioSyn Saúde Animal, empresa com sede Santa Catarina, em expansão para a América Latina.

Portas fechadas para AGPs

O banimento dos AGPs na pecuária europeia começou em 2006 e se estende aos países fornecedores a partir de setembro de 2026. A restrição da União Europeia deve afetar diretamente as exportações para o 3º maior destino da carne brasileira em valor (depois da China e EUA).

Enquanto isso, outros países produtores, como Argentina, Colômbia e México, permanecem na lista de conformidade com as exigências europeias.

Carlos Kneipp, diretor técnico da BioSyn,

Segundo o diretor técnico da BioSyn, Carlos Kneipp, a medida sinaliza que barreiras comerciais baseadas em resistência antimicrobiana são a nova realidade do comércio internacional de proteína animal:
“A resistência antimicrobiana mata, de forma direta, 1,27 milhão de pessoas por ano globalmente. A Europa protege sua população, o mundo precisa fazer o mesmo, e o Brasil precisa de medidas urgentes para manter a competitividade”, aponta o médico veterinário.

Pesquisa e desenvolvimento nacional

A empresa em que ele atua como diretor de Pesquisa e Desenvolvimento está localizada em Araquari, na região norte de Santa Catarina, em expansão internacional para a América Latina. O negócio é impulsionado pela busca crescente por biotecnologia baseada na ação dos microrganismos probióticos para a saúde animal.

Para competir com fornecedores internacionais, a BioSyn Saúde Animal aposta em diferenciais como a seleção de genótipos específicos, com características benéficas para melhorar a produtividade e o bem-estar dos animais.

Além desse mapeamento genômico que garante biossegurança aos microrganismos vivos, a empresa desenvolveu uma tecnologia própria para proteger esses e outros bioativos que precisam chegar íntegros ao intestino animal, órgão que responde por cerca de 70% da imunidade:
“De nada adianta fornecer o melhor probiótico se ele não chegar viável ao intestino. Esses microrganismos benéficos são muito sensíveis em processos extremos, como a extrusão e a peletização de rações, bem como ao pH do estômago. O microencapsulamento desenvolvido pela BioSyn protege nossos probióticos, garante a viabilidade, com ação mais rápida e eficaz”, completa Kneipp.

Diferenciais competitivos vs. produtos importados:

  • Cepas importadas genéricas → Cepa mapeada e proprietária
  • Probióticos sem proteção → Microencapsulamento
  • Viabilidade não garantida → Garantia de viabilidade no intestino
  • Sem rastreabilidade genômica → Biossegurança registrada em processo molecular de identificação (validação Genômica dos Microrganismos)

O custo da resistência antimicrobiana

De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), cerca de 73% dos antimicrobianos produzidos globalmente são utilizados em produção animal. O uso sem critérios específicos promove o desenvolvimento de bactérias multirresistentes.

O estudo Review on Antimicrobial Resistance, encomendado pelo governo britânico, projeta que, se o uso indiscriminado não for revertido, a resistência antimicrobiana causará 10 milhões de mortes anuais até 2050 e custará US$ 100 trilhões à economia global.
No Brasil, dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) apontam que 73% das granjas de frangos de corte ainda utilizam algum tipo de antimicrobiano promotor de crescimento (AGP).

Mercado global cresce 18,7% ao ano

Carlos Freitas, gerente nacional,

Relatório da consultoria internacional Marketsand Markets projeta que o mercado global de aditivos funcionais sem AGPs deve alcançar US$ 7,8 bilhões até 2028, com crescimento concentrado em países exportadores pressionados por barreiras sanitárias.
“É exatamente aí que entra o papel da BioSyn. Não basta oferecer o produto, é preciso transferir conhecimento, ajustar protocolos para cada realidade produtiva, acompanhar a transição. Temos equipe técnica altamente qualificada para isso”, destaca o gerente nacional, Carlos Freitas.

Maior exportador mundial de carne bovina e de frango, o Brasil também figura como o 4º maior produtor de carne suína e tem o desafio de antecipar a transição e conquistar mercados premium:

“Outros países já estão nessa corrida. A Tailândia, Vietnã e os competidores sul-americanos investem pesado em certificações antibiotic-free. O Brasil tem vantagem competitiva em escala, genética, nutrição e sanidade. Mas precisa agregar tecnologia para não perder liderança”, acrescenta Freitas.

 

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