
A produção de milho em Mato Grosso pode recuar 7,50% na safra 2026/27, para 53,68 milhões de toneladas, mesmo com previsão de aumento da área plantada. Segundo dados divulgados pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), o resultado deve refletir principalmente a expectativa de menor produtividade e um cenário climático menos favorável no novo ciclo.
Em agosto de 2026, o Imea consolidou os números da safra 2025/26 e divulgou as primeiras projeções para a temporada 2026/27. No ciclo encerrado, a produtividade foi consolidada em 130,11 sacas por hectare, alta de 2,23% em relação à safra anterior e de 17,32% ante a média dos últimos cinco anos. As condições climáticas favoráveis durante o desenvolvimento das lavouras contribuíram para o desempenho, levando a produção estadual a um novo recorde.
Segundo dados divulgados pelo Imea, Mato Grosso produziu 58,04 milhões de toneladas de milho na safra 2025/26, avanço de 4,69% em relação ao ciclo anterior. Para a safra 2026/27, a área destinada ao milho foi projetada em 7,48 milhões de hectares, aumento de 0,59%. O avanço indica crescimento moderado da área cultivada no novo ciclo.
Apesar da expansão da superfície plantada, a produtividade deve ser menor. A estimativa do Imea aponta rendimento de 119,64 sacas por hectare, queda de 8,05% em relação à produtividade consolidada em 2025/26. Mesmo com a retração, o rendimento projetado permanece 1,30% acima da média das últimas cinco safras. A expectativa de menor produtividade considera um cenário climático menos favorável para o desenvolvimento do cereal em Mato Grosso.
Segundo dados divulgados pelo Imea, uma possível atuação do El Niño poderá afetar o desenvolvimento da soja e atrasar o ciclo da oleaginosa. Com isso, a janela disponível para o plantio do milho pode ser reduzida. O atraso no ciclo da soja pode fazer com que uma parcela maior das lavouras de milho seja implantada fora da janela considerada ideal. Esse cenário aumenta o risco de restrição hídrica durante o desenvolvimento do cereal, principalmente com a transição para o período seco em Mato Grosso.
A combinação entre uma área apenas moderadamente maior e uma produtividade menor resulta em uma projeção de produção abaixo do recorde registrado no ciclo anterior.
Segundo dados divulgados pelo Imea, a produção de milho de Mato Grosso deve alcançar 53,68 milhões de toneladas na safra 2026/27, redução de 7,50% ante as 58,04 milhões de toneladas estimadas para 2025/26. Os números mostram uma mudança no cenário entre as duas safras. Enquanto o ciclo 2025/26 foi marcado por condições climáticas favoráveis, produtividade recorde e produção histórica, a temporada 2026/27 parte de uma perspectiva mais cautelosa.
A área deve crescer 0,59%, mas o rendimento projetado recua 8,05%. Dessa forma, o ganho de área não seria suficiente para compensar a queda esperada na produtividade.
O comportamento da produtividade também reforça a influência das condições climáticas sobre o planejamento da segunda safra em Mato Grosso. A possibilidade de atraso no plantio, associada à entrada do período seco, aumenta os riscos para as lavouras implantadas fora da janela ideal.
Com isso, a estimativa inicial para 2026/27 aponta para uma produção de 53,68 milhões de toneladas, 7,50% abaixo do recorde previsto para a safra 2025/26.
