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Temperaturas mais altas favorecem carunchos, traças e besouros em silo

Por Aline Merladete, com colaboração e revisão de Ubirajara Fontoura, engenheiro agrônomo.

O período entre outubro e fevereiro exige atenção reforçada no armazenamento do trigo. Com temperaturas mais altas, em torno de 25°C e 35°C, aumenta o risco de infestação por carunchos, traças e besouros, que podem causar perda de peso, aquecimento da massa de grãos, aumento de impurezas e redução da qualidade industrial. Essas pragas causam danos diretos, alimentando-se do endosperma e do germe do trigo. Muitas vezes, as perdas de peso e de qualidade, criam conflitos entre empresa armazenadora e proprietário do produto.

Entre as principais pragas estão os carunchos do gênero Sitophilus, os besouros Rhyzopertha dominica e Tribolium spp. e as traças Sitotroga cerealella e Plodia interpunctella. Em condições favoráveis de calor e umidade, esses insetos podem completar gerações em poucas semanas, ampliando rapidamente uma infestação inicial.

A umidade elevada dos grãos, temperaturas da massa entre cerca de 25 °C e 30 °C, presença de impurezas, grãos quebrados e resíduos de safras anteriores aumentam o risco de ataque. A falta de monitoramento também dificulta o controle, pois muitas infestações só são percebidas quando já há insetos visíveis, pó, odor alterado ou pontos de aquecimento. O aumento de temperatura em combinação com umidade elevada favorece o desenvolvimento de fungos de armazenamento como Aspergillus e Penicillium, que poderão produzir micotoxinas, substâncias tóxicas que tornam o trigo impróprio para o consumo humano e animal.

Essas ocorrências, devido às alterações externas de temperatura, poderão depreciar a qualidade de panificação e alterando a coloração da farinha, estrutura de proteínas e reduzindo a força do glúten (W). Com altas temperaturas poderá haver quebra de lipídios , aumentando a acidez graxa, gerando odor rançoso ao produto.

Prevenção começa antes do armazenamento

A limpeza das estruturas antes da entrada do trigo é uma das principais medidas preventivas. Moegas, elevadores, transportadores, pisos e paredes devem ficar livres de resíduos e poeira da safra anterior.

Também é importante reduzir impurezas e grãos quebrados por meio da pré-limpeza e da limpeza, além de manter a umidade do trigo compatível com o tempo previsto de armazenamento. A referência apresentada indica, de forma geral, teor de água em torno de 12% a 13% para armazenamento por vários meses.

A aeração é outra ferramenta importante. A passagem de ar mais frio pela massa de grãos ajuda a reduzir e uniformizar a temperatura, diminuindo a atividade dos insetos. O manejo deve considerar a diferença entre a temperatura externa e a dos grãos e a umidade relativa do ar para evitar reumidificação.

O acompanhamento deve incluir inspeções visuais, armadilhas e monitoramento da temperatura e da umidade. Alterações localizadas e persistentes de temperatura podem indicar atividade de insetos ou problemas na conservação da massa armazenada.

Quando a infestação já está estabelecida, podem ser necessárias intervenções químicas autorizadas, inclusive expurgo com fumigantes registrados. Esse tipo de operação exige estrutura adequada, profissionais capacitados e respeito aos prazos de segurança, rótulo, bula e receituário agronômico.

A combinação entre limpeza, controle de umidade e temperatura, aeração e monitoramento frequente é a principal estratégia para reduzir perdas no trigo armazenado durante os meses mais quentes.
 

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