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Arroz dispara 58% e mercado vê sinal de alerta

A valorização do arroz em casca no mercado futuro norte-americano chama atenção por ocorrer em plena colheita dos Estados Unidos, período normalmente marcado pelo aumento da oferta. Segundo Sergio Cardoso, analista da cadeia de arroz e responsável pelo Canal Pampa Gaúcho, as cotações em Chicago chegaram a US$ 17,25 por cwt, acumulando alta de 58,33% nos últimos 12 meses.

O movimento ocorre diante da perspectiva de uma produção menor nos Estados Unidos. Conforme projeções do USDA apresentadas pelo analista, a safra de arroz longo deve alcançar aproximadamente 4,68 milhões de toneladas, o menor volume desde 1987/88.

Outro indicador observado é o mercado de Nova Orleans, conhecido como NOLA, que apresenta referências entre US$ 395 e US$ 405 por tonelada FOB de arroz em casca. Na bolsa de Chicago, contratos futuros para 2027 se aproximam de US$ 18 por cwt, embora os vencimentos mais distantes apresentem baixa liquidez.

Para os países do Mercosul, esse cenário pode representar oportunidades comerciais. Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai podem ampliar sua presença em mercados importadores, especialmente na América Central, caso a menor disponibilidade norte-americana se confirme.

Entretanto, a safra 2026/27 começa cercada de incertezas relacionadas à área plantada, ao comportamento climático, à produtividade e aos custos de produção. Cardoso também ressalta que Chicago, NOLA e o mercado físico brasileiro possuem dinâmicas diferentes.

A sustentação das altas dependerá da evolução das exportações, dos estoques, dos fretes e dos negócios efetivamente realizados. A principal dúvida é se Chicago está apenas reagindo à redução da safra americana ou antecipando um mercado internacional de arroz longo mais ajustado em 2027.

 

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