A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia tende a produzir efeitos imediatos sobre o comércio exterior brasileiro. Estimativas da ApexBrasil indicam que o país pode ampliar suas exportações em até US$ 1 bilhão já no primeiro ano de vigência.
O impacto inicial se concentra em um grupo de 543 produtos com maior potencial de ganho no curto prazo, dentro de um universo de cerca de 5 mil itens que passam a ter tarifa de importação zerada. Com a mudança, aproximadamente 54% das exportações do Mercosul passam a acessar o mercado europeu sem barreiras tarifárias.

Photo: Claudio Neves
Entre os setores mais diretamente beneficiados estão alimentos e bens industriais. Produtos como mel, uvas e couro aparecem entre os destaques no agro, enquanto motores, geradores elétricos e aeronaves lideram entre os industriais. No segmento aeronáutico, a abertura comercial amplia o acesso a um mercado estimado em cerca de US$ 16 bilhões.
O acordo ganha relevância diante da dimensão do mercado europeu. A União Europeia movimenta cerca de US$ 7,4 trilhões em importações, sendo mais de US$ 3 trilhões originados fora do bloco. Em termos de escala, trata-se de um mercado aproximadamente nove vezes maior que o do Mercosul, o que amplia o espaço potencial para inserção de produtos brasileiros.
A liberalização, no entanto, ocorre de forma assimétrica no curto prazo. Do lado europeu, cerca de 10% dos produtos passam a ter tarifa zerada no acesso ao mercado sul-americano, movimento que tende a aumentar a concorrência interna, especialmente em segmentos industriais e de maior valor agregado.
Na prática, o acordo combina oportunidade de expansão das exportações com maior exposição do mercado doméstico, exigindo ganho de competitividade para sustentar participação nos dois sentidos do comércio.
