
THE sorgo brasileiro passou a ocupar um espaço mais relevante no comércio internacional em 2026, impulsionado pela abertura do mercado chinês e pelo aumento da produção nacional. Segundo análise de Jardel Oliveira de Paula, a programação de agosto já somava 407,7 mil toneladas em seis embarques, indicando uma mudança de escala nas vendas externas do cereal.
A retomada do acesso à China foi viabilizada pelo protocolo sanitário e fitossanitário firmado em maio de 2025. Após a habilitação de dez estabelecimentos brasileiros no fim daquele ano, o primeiro embarque ocorreu em janeiro de 2026, com cerca de 25,8 toneladas, em uma operação considerada de teste. Meses depois, a movimentação ganhou volume, com operações previstas em Santos e Paranaguá.
O avanço das exportações ocorre em um cenário de forte expansão da oferta. A Conab estimou a produção brasileira de sorgo em 7,56 milhões de toneladas na safra 2025/26, alta de 23,8% sobre o ciclo anterior. O crescimento cria condições para ampliar as vendas externas, mas também aumenta a necessidade de armazenagem, segregação, rastreabilidade e padronização dos lotes.
A nova demanda também pode alterar a formação de preços no mercado interno. O sorgo, tradicionalmente relacionado ao milho por sua utilização em rações e outros usos industriais, passa a contar com a paridade de exportação como referência adicional. Se a remuneração externa superar a doméstica, a competição pela originação tende a crescer.
O principal desafio agora é consolidar uma cadeia capaz de garantir volume, qualidade e regularidade. A abertura chinesa amplia as possibilidades comerciais, mas exige organização entre produção, armazenagem, logística e contratos para transformar o novo fluxo em um mercado recorrente.
