
O nematoide de galhas está entre os problemas fitossanitários que podem comprometer o desenvolvimento e a produtividade das lavouras de corn. Causado principalmente por *Meloidogyne incognita* e *Meloidogyne javanica*, o problema provoca alterações no sistema radicular e pode resultar em plantas desuniformes, menor porte, falhas no estande e má formação de espigas.
O problema tem aumentado em importância em regiões produtoras de milho da Bahia, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Piauí, Paraná e Rio Grande do Sul. Entre os fatores apresentados estão a intensificação da agricultura, as sucessões entre milho e soja e o uso repetido de cultivares suscetíveis.
Os nematoides são vermes microscópicos que vivem no solo e parasitam as raízes. No milho, as formas jovens penetram nas raízes recém-formadas e migram internamente até regiões responsáveis pela condução de água e nutrientes. A partir daí, induzem alterações nos tecidos vegetais que dão origem às chamadas galhas, inchaços característicos nas raízes.
O processo compromete o volume radicular funcional. Com menos raízes capazes de explorar o solo, a planta perde eficiência na absorção de água e nutrientes. Dessa forma, mesmo lavouras instaladas em solos férteis e adequadamente adubadas podem apresentar sintomas semelhantes aos de deficiência nutricional e maior sensibilidade ao estresse hídrico.
O ciclo começa com a eclosão das larvas de segundo estádio, chamadas J2, a partir dos ovos presentes no solo ou associados a restos de raízes. Após a penetração e o estabelecimento do sítio de alimentação, ocorre a formação das galhas. As fêmeas produzem centenas de ovos, e parte deles pode permanecer no solo aguardando condições favoráveis ou a presença de uma nova cultura hospedeira.
O ciclo relativamente curto permite a ocorrência de várias gerações durante uma mesma safra. O amplo número de plantas hospedeiras também dificulta o controle apenas por meio de rotações simples. O material aponta ainda a possibilidade de associação dos nematoides com fungos causadores de podridões radiculares, ampliando os danos ao milho.
Nas raízes, os principais sinais incluem formação de galhas, redução do comprimento e do volume radicular, diminuição das raízes absorventes e, em infestações severas, ocorrência de necroses. Essas alterações limitam a capacidade da planta de explorar o perfil do solo e podem prejudicar tanto o aproveitamento da adubação quanto a absorção de água em maior profundidade.
Na parte aérea, podem surgir desuniformidade entre plantas, falhas no estande, redução do porte, colmos mais finos e menor enfolhamento. Também são relatados atraso no florescimento e formação de espigas pequenas, mal granadas ou com falhas de grãos. Em áreas com histórico do problema, as reboleiras de menor produtividade podem persistir ao longo das safras.
O impacto sobre a produtividade varia conforme a população do nematoide, as condições de solo e clima e o manejo utilizado. O material informa que trabalhos envolvendo culturas anuais parasitadas por *Meloidogyne* frequentemente apontam reduções de produtividade de cerca de 10% a mais de 50% em situações de alta infestação, principalmente em solos arenosos e em áreas cultivadas sucessivamente com espécies hospedeiras.
Esses percentuais, porém, não representam uma previsão automática para qualquer lavoura. A própria avaliação apresentada ressalta que a perda exata depende das condições de cada área.
Uma maneira sugerida para estimar o impacto econômico é delimitar as reboleiras afetadas e comparar a produtividade dessas áreas com a de pontos aparentemente sadios do mesmo talhão ou de locais próximos sem histórico de nematoides. A diferença de produtividade pode então ser multiplicada pelo preço de venda do milho para obter uma estimativa de perda por hectare.
O período de estabelecimento e crescimento vegetativo merece atenção. Outubro e novembro são apontados como meses críticos em diferentes regiões produtoras porque podem coincidir com temperaturas mais elevadas no solo e com a formação do sistema radicular do milho. Nessas condições, a atividade dos nematoides pode ser favorecida justamente quando a planta apresenta elevada demanda por água e nutrientes.
Para confirmar a presença do problema, a avaliação visual da lavoura não é suficiente. O diagnóstico deve reunir observações de campo e análise laboratorial. Em áreas suspeitas, podem ser observadas reboleiras com plantas menores ou amarelecidas, desuniformidade de desenvolvimento e galhas nas raízes.
O material recomenda a coleta separada de amostras de solo e raízes e o encaminhamento a laboratório de nematologia, onde podem ser realizadas a contagem de ovos e larvas e a identificação das espécies presentes. A interpretação deve considerar também o histórico da área, o tipo de solo, a sequência de culturas e a tecnologia empregada.
Entre os fatores utilizados para estimar o risco estão a população inicial de nematoides, o tipo de solo, o histórico de culturas hospedeiras, a época de semeadura e as condições de matéria orgânica e estrutura do solo.
Além da safra de milho em andamento, a presença de nematoides pode manter populações elevadas para culturas subsequentes, aumentar a ocorrência de doenças radiculares associadas e reduzir a eficiência de absorção de nutrientes. Em sistemas intensivos de milho e soja, esses efeitos podem se acumular ao longo das safras.
A quantificação precisa das perdas, portanto, exige avaliação específica de cada lavoura. O diagnóstico laboratorial, associado ao histórico da área e à observação em campo, é apresentado como base para dimensionar o risco e orientar as decisões de manejo.
