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Alta em Chicago não chega ao campo e milho vale até R$ 3,89 a mais no mercado brasileiro

A valorização do milho na Bolsa de Chicago no início de maio, com contratos futuros da safrinha 2026 renovando máximas, não se traduziu em alta equivalente no mercado físico brasileiro. O movimento internacional, impulsionado pela elevação do petróleo em meio à escalada de tensão entre Estados Unidos e Irã, encontra no câmbio o principal limitador para os preços internos.

Foto: Aires Mariga

A apreciação do real reduz a competitividade da exportação na originação, comprimindo as indicações ao produtor. Com isso, a formação de preços no interior passa a ser mais influenciada pelo consumo doméstico do que pela paridade internacional.

Em Rondonópolis (MT), referência logística da safrinha, o descolamento é evidente. Em 30 de abril, a paridade de exportação para entrega em agosto de 2026 apontava R$ 43,61 por saca, enquanto o mercado interno oferecia R$ 47,50 para o mesmo período, diferença de R$ 3,89 por saca a favor da demanda doméstica.

Esse prêmio interno é sustentado principalmente pelo setor de proteínas animais e pelas usinas de etanol de milho, que operam com base em margens industriais e não exclusivamente na lógica de arbitragem com o mercado externo. Essa dinâmica restringe os volumes destinados à exportação, que passam a depender de janelas pontuais de oportunidade e da atuação das tradings.

Photo: Jaelson Lucas

No comércio internacional, o cenário também exige atenção. Em 2025, o Brasil ampliou sua dependência de mercados do Oriente Médio e do Norte da África, após compradores tradicionais, como Japão e Coreia do Sul, direcionarem compras aos Estados Unidos. O Irã, nesse contexto, tornou-se o principal destino do milho brasileiro, com volume recorde.

Embora a janela de exportação do Brasil se concentre no segundo semestre, o que ainda limita impactos diretos do atual conflito geopolítico, a concentração recente em mercados mais sensíveis aumenta o risco de volatilidade na demanda. A eventual redução das compras por parte desses países pode alterar o fluxo comercial e reforçar ainda mais o peso do mercado interno na formação de preços ao produtor.

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