
Os mercados de arroz da Ásia entram na temporada principal 2026/27 com suporte de preços, embora a chegada das primeiras colheitas já comece a testar a resistência das cotações nos principais países exportadores. Segundo V Subramanian, analista, esse movimento ficou evidente na última semana, com recuos em Myanmar, enquanto as referências de exportação na região permaneceram estáveis.
Na Índia, o cenário segue firme apesar dos números resilientes para o plantio. O déficit acumulado das monções, de 13,4% abaixo da média de longo prazo, e a destinação de 7,2 milhões de toneladas para etanol aumentam a percepção de oferta mais apertada. A chegada tardia da produção também reforça a expectativa de menor rendimento da safra Kharif.
Em Myanmar, a pressão de baixa ganhou força com a entrada mais significativa da nova safra de monção no mercado físico. O movimento representa o primeiro efeito mais claro da colheita sobre os preços nesta temporada.
No Vietnã, as cotações se estabilizaram após uma demanda de reposição mais fraca das Filipinas. O mercado ainda oferece espaço para negociação aos compradores, enquanto o fluxo comercial consistente para a China ajuda a sustentar os preços.
No Sudeste Asiático, a melhora das chuvas de monção reduziu os déficits imediatos de umidade para as safras do quarto trimestre. Com isso, as preocupações mais agudas relacionadas ao El Niño foram deslocadas para 2027. Ainda assim, os custos elevados de combustíveis e fertilizantes seguem limitando as margens dos produtores.
As próximas quatro a oito semanas serão decisivas, com o avanço do pico de chegada das colheitas. Esse período deverá indicar se os preços de exportação conseguirão se manter ou se a maior oferta sazonal provocará pressão mais ampla sobre as cotações.
