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Clima acende alerta sobre safra asiática de arroz

O clima começa a ampliar as incertezas sobre a safra asiática de arroz, com eventos extremos atingindo importantes países produtores. Segundo Sergio Cardoso, analista da cadeia de arroz, ainda é cedo para falar em quebra de safra, mas a sequência de ocorrências já merece atenção do mercado.

Nas Filipinas, ciclones e chuvas intensas atingiram mais de 62 mil hectares agrícolas, com perdas estimadas em cerca de 61 mil toneladas entre diferentes culturas. O arroz está entre os produtos afetados, enquanto os prejuízos seguem em levantamento.

Na Índia, o cenário é diferente, com déficit relevante de precipitação durante a monção e preocupação sobre possíveis efeitos na produtividade. Os preços já reagiram, e o arroz parboilizado indiano com 5% de quebrados é negociado entre US$ 366 e US$ 371 por tonelada, próximo das máximas de um ano.

No Vietnã, as atenções se concentram nas chuvas e inundações recentes e na disponibilidade de água no sistema do Mekong diante das condições associadas ao El Niño. Na China, fortes chuvas e tufões seguem atingindo regiões agrícolas, embora ainda não haja elementos suficientes para indicar redução significativa da produção nacional.

A avaliação é que os eventos, isoladamente, ainda não alteram o balanço mundial do arroz. O risco aumenta se Índia, China, Vietnã ou Tailândia passarem a revisar para baixo suas estimativas de produção. Uma eventual redução na Índia, maior exportador mundial, pode ter reflexos rápidos nos preços internacionais.

O quadro também interessa ao Mercosul, que inicia a safra 2026/27 sob incertezas climáticas no Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai. Por enquanto, não há crise de oferta, mas a combinação de excesso de chuva, déficit hídrico e possíveis efeitos do El Niño mantém o mercado em alerta.

 

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