A alta probabilidade de atuação do El Niño em Mato Grosso, prevista para o início do ciclo da soja, poderá influenciar a projeção da safra 2026/27. O novo boletim do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), publicado na segunda-feira (4), indica uma possível redução na produção em relação ao ciclo anterior, atrelada às incertezas climáticas.
A produtividade da safra está estimada em 62,44 sacas por hectare, uma queda de 5,43% em relação ao ciclo anterior. Já a produção total de soja para 26/27 foi projetada em 48,88 milhões de toneladas, uma redução de 5,19%.
Além disso, o aumento nos custos de produção, puxado por insumos como diesel e fertilizantes, deve pressionar as margens e levar produtores a ajustarem o pacote tecnológico. A área plantada, por outro lado, deve crescer menos, chegando a 13,04 milhões de hectares (+0,25%), refletindo cautela diante de juros altos e crédito mais restrito.
Apesar da retração, o volume ainda se mantém em um patamar historicamente elevado, reforçando a relevância do estado na oferta nacional da oleaginosa, ainda que em um cenário mais desafiador sob o ponto de vista produtivo e econômico.
Segundo o instituto, essa influência na projeção da safra da oleaginosa aconteceu com base em previsões da National Oceanic and Atmospheric Administration (Noaa), que indica chance de 80% da ocorrência do El Niño no 1° trimestre de desenvolvimento da soja.
Com essa previsão climática, e um cenário de possível irregularidade das chuvas no estado e variabilidade hídrica, especialmente em uma fase decisiva para o estabelecimento das lavouras, o desenvolvimento inicial da soja pode ficar comprometido, elevando o risco produtivo já no início da temporada.
Embora o El Niño ainda não esteja configurado no estado, de acordo com o coordenador de Inteligência de Mercado do Imea, Rodrigo Silva, o comportamento climático será determinante para o desempenho da safra. Caso fenômeno se consolide entre o segundo semestre de 2026 e o início de 2027, seus efeitos tendem a coincidir com o plantio e os estágios iniciais da soja em Mato Grosso.
“O que mais chama atenção neste primeiro levantamento é justamente o fator climático. Com uma probabilidade elevada de El Niño, a tendência é de maior irregularidade das chuvas no início do ciclo, o que pode impactar diretamente o potencial produtivo das lavouras”, afirma.
Em análise complementar, Rodrigo ressalta que o instituto já incorporou esse risco nas projeções iniciais. Segundo ele, a estimativa de produtividade reflete um cenário mais “conservador”.
“Esse contexto se traduz na projeção de rendimento médio de 62,44 sacas por hectare, uma queda de 5,43% em relação à safra anterior. Com isso, a produção foi estimada em 48,88 milhões de toneladas, um recuo de 5,19%. Ou seja, movimento diretamente influenciado pelo risco climático associado ao El Niño”, destacou o coordenador do Imea.
