A produção de milho no Brasil entra na safra 2025/26 sob um cenário de maior pressão sobre custos, clima e eficiência produtiva. Presente na alimentação humana e animal, na fabricação de etanol e nas exportações brasileiras, o cereal continua estratégico para o agronegócio nacional, mas exige um manejo cada vez mais técnico para manter competitividade no campo.

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A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 138,45 milhões de toneladas nesta temporada, mantendo o Brasil entre os maiores produtores mundiais de milho. A segunda safra, conhecida como safrinha, segue como principal responsável pelo volume nacional, especialmente nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Matopiba.
Apesar do potencial produtivo, especialistas alertam que os resultados da safra começam a ser definidos muito antes do plantio, principalmente na qualidade do preparo do solo e na eficiência do manejo nutricional.
Solo ganha protagonismo no planejamento da safra
Com margens mais apertadas e maior variabilidade climática, práticas ligadas à conservação e estruturação do solo passaram a ter peso decisivo no desempenho da cultura.

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Entre as principais recomendações técnicas estão análise química e física do solo, correção da acidez com calcário, uso de gesso agrícola, manutenção de palhada e rotação de culturas. Essas medidas favorecem retenção de água, aprofundamento das raízes e melhor aproveitamento dos nutrientes.
Segundo o engenheiro agrônomo e empresário Leonardo Sodré, o manejo adequado reduz perdas e aumenta a eficiência da planta durante o desenvolvimento da lavoura. “Uma menor lixiviação reduz as perdas de nitrogênio, que é crítico para o milho. Já a tecnologia Stay Green mantém as folhas ativas por mais tempo, aumentando a fotossíntese”, explica.
De acordo com ele, a antecipação de algumas aplicações também se tornou estratégica, principalmente na safrinha, onde a janela operacional é mais curta. “A linha Exclusive oferece aplicação antecipada via solo, com maior compatibilidade, ideal para uma janela de aplicação apertada na safrinha”, pontua.
Fertilização de precisão e bioinsumos no campo
A volatilidade internacional dos fertilizantes também alterou o comportamento do produtor rural. Em vez de ampliar volume aplicado, cresce a busca por aplicações mais eficientes e direcionadas por mapas de fertilidade e análise por talhão.

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O parcelamento do nitrogênio e a adoção de fórmulas específicas conforme necessidade da área vêm ganhando espaço em propriedades de diferentes portes.
Ao mesmo tempo, os bioinsumos ampliam participação no manejo da cultura. Inoculantes, biodefensivos, promotores de crescimento e solubilizadores de fósforo passaram a integrar estratégias voltadas à redução parcial da dependência de produtos químicos convencionais.
Além da sustentabilidade, os produtos biológicos são utilizados para melhorar vigor inicial, absorção de nutrientes e tolerância a estresses climáticos. O engenheiro agrônomo Fellipe Parreira destaca que fatores ambientais continuam sendo um dos principais desafios para o desempenho biológico das lavouras. “As adversidades climáticas que podem afetar a produção incluem temperaturas extremas, excesso ou escassez de água no solo, alta salinidade e baixos valores de pH. Isso pode reduzir a atividade das bactérias simbióticas e comprometer a eficiência da fixação biológica do nitrogênio”, menciona.
Segundo ele, os impactos também atingem diretamente a formação dos nódulos responsáveis pela fixação biológica.
“Déficits de precipitação podem interferir diretamente no processo de formação dos nódulos, prejudicando a produtividade da cultura. As condições climáticas desempenham um papel importante na variabilidade dos resultados observados em diferentes anos de cultivo”, acrescenta.
Rentabilidade da safrinha
Na prática, a safra 2025/26 mostra um produtor mais atento ao planejamento operacional e financeiro. Compra antecipada de insumos, uso compartilhado de máquinas, apoio técnico de cooperativas e monitoramento climático por aplicativos já fazem parte da rotina de muitas propriedades.
Para pequenos e médios produtores, o custo-benefício das tecnologias e a integração com manejos tradicionais explicam o avanço dessas ferramentas no campo.
Na safrinha, porém, o principal ponto de atenção continua sendo a janela de plantio após a colheita da soja. Atrasos no calendário aumentam exposição a estiagens, geadas e perdas de produtividade.
Diante desse cenário, especialistas avaliam que a competitividade da cultura dependerá cada vez mais da combinação entre manejo de solo, nutrição eficiente, planejamento operacional e adoção de tecnologias sustentáveis.
