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Avanço de javalis no Brasil aumenta alerta nas áreas de soja

A presença de javalis e javaporcos em regiões agrícolas brasileiras aumenta a preocupação com possíveis danos às lavouras de soja no início da safra 2026/2027. Levantamento divulgado neste ano pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) aponta crescimento da presença desses animais em municípios de todas as regiões do país, incluindo localidades que não constavam na edição anterior, publicada em 2019.

O avanço representa um risco para áreas cultivadas, especialmente durante as fases iniciais de desenvolvimento da soja. Ao procurar alimento, javalis e javaporcos revolvem o solo, derrubam plantas e danificam trechos da lavoura, podendo comprometer a produção antes mesmo do estabelecimento da cultura.

Além dos prejuízos agrícolas, a presença desses animais também gera preocupação sanitária. Segundo o Mapa, os suídeos asselvajados são considerados nas ações de vigilância relacionadas à saúde dos rebanhos suínos, o que amplia a importância do acompanhamento de sua ocorrência nas propriedades rurais.

De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), javalis e javaporcos possuem hábitos predominantemente noturnos e utilizam o focinho para escavar o terreno em busca de alimento. Entre os principais sinais de sua presença estão pegadas, fezes, pelos, escavações e vegetação danificada.

O javali (Sus scrofa) é uma espécie exótica invasora no Brasil, enquanto o javaporco resulta do cruzamento entre javalis e suínos domésticos. Ambos apresentam alimentação diversificada, que inclui raízes, frutos, sementes, grãos, vegetais e pequenos animais. A capacidade de adaptação e o comportamento em bandos contribuem para sua presença em ambientes agrícolas.

Para reduzir os riscos, a identificação das rotas utilizadas pelos animais é uma das medidas recomendadas aos produtores. Áreas próximas a matas, cursos d’água e locais com disponibilidade de alimento exigem atenção, pois podem funcionar como corredores de passagem até as lavouras.

Segundo Bruno Nolasco, gerente de negócios agro da Belgo Arames, o monitoramento desses pontos permite identificar os locais mais vulneráveis da propriedade e direcionar as medidas de proteção.

“Locais próximos a matas, cursos d’água ou com oferta de alimento merecem atenção especial, pois servem como rotas de passagem. Conhecer esses pontos e monitorar os vestígios ajudam o produtor a entender por onde os invasores chegam e quais trechos exigem maior proteção”, pontua Nolasco.

O cercamento também está entre as alternativas para dificultar o acesso dos animais às áreas produtivas. A escolha da estrutura deve considerar as características dos javalis e javaporcos, além das condições específicas de cada propriedade.

Uma das recomendações é utilizar telas com aberturas menores próximas ao solo, dificultando a passagem dos animais pela parte inferior da cerca. A manutenção das estruturas existentes e a correção de possíveis pontos de entrada também fazem parte dos cuidados preventivos.

Entre as soluções disponíveis está a tela Belgo Javaporco, desenvolvida pela Belgo Arames. Conforme informações da fabricante, o produto possui 11 fios horizontais e galvanização pesada, características destinadas a aumentar a resistência e a durabilidade da estrutura na proteção contra animais de médio e grande porte.

Para Nolasco, a revisão das cercas deve ser acompanhada pela observação contínua dos vestígios encontrados nas propriedades, especialmente neste início de safra.

“Com a safra já caminhando, revisar o cercamento e corrigir possíveis pontos de acesso são cuidados que devem ser adotados antes de os problemas chegarem à lavoura. A combinação entre barreira adequada e monitoramento dos vestígios encontrados no entorno ajuda a preservar a área cultivada e a reduzir riscos para a produção”, afirma.

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