
O preço da soja ganhou força no mercado brasileiro nos últimos dias e levou os principais indicadores do Cepea aos maiores níveis nominais diários desde abril de 2023. Segundo dados divulgados pelo Cepea, a valorização ocorre em meio ao avanço das compras no Brasil e no exterior, enquanto produtores e demais vendedores reduzem a oferta de lotes no mercado spot.
O movimento reúne pressão de diferentes frentes. No mercado internacional, a China mantém a procura aquecida pela oleaginosa. Dentro do País, as indústrias brasileiras ampliaram as aquisições com o objetivo de recompor estoques e assegurar matéria-prima para os próximos períodos, de acordo com o Cepea.
Com compradores mais presentes, a disponibilidade imediata encontrou um obstáculo adicional: a menor disposição de vendedores para fechar negócios. Segundo o Centro de Pesquisas, essa combinação entre procura firme e oferta restrita favoreceu a alta das cotações e levou os Indicadores CEPEA/ESALQ Paranaguá e CEPEA/ESALQ Paraná aos maiores patamares nominais diários em mais de três anos.
A postura mais cautelosa dos vendedores está ligada também às dúvidas sobre o tamanho da oferta mundial na safra 2026/27. Pesquisadores do Cepea apontam que os possíveis efeitos do El Niño aumentam as incertezas em relação à produção global, fator que reduz o interesse em negociar volumes neste momento.
A preocupação não se limita ao mercado brasileiro. De acordo com o Cepea, as incertezas envolvendo a oferta também deram sustentação às cotações internacionais da soja, movimento que acabou reforçando a valorização registrada no Brasil.
Com a demanda externa firme, as indústrias nacionais mais ativas e vendedores restringindo negócios, o mercado brasileiro passou a operar sob maior disputa pelos lotes disponíveis. O resultado foi uma aceleração das cotações e a renovação dos maiores níveis nominais observados desde abril de 2023.
