
O avanço da produtividade elevou a competitividade do agronegócio brasileiro nas últimas duas décadas, mas a busca por maior valor agregado tende a ganhar espaço nas próximas safras. O desafio é combinar rendimento no campo com produtos capazes de atender mercados diferenciados e gerar melhores margens.
Durante o XXIII Congresso Brasileiro de Sementes, em Foz do Iguaçu, o consultor Ismael Menezes, da MD Commodities, destacou que a produtividade brasileira cresceu 35% entre 2005 e 2025. Segundo a análise apresentada, genética, biotecnologia, agricultura de precisão, manejo e gestão foram decisivos para esse avanço.
“Você vai produzir mais sacas ou produzir mais valor? A gente vai ficar esperando esse mercado acontecer ou vai ser um agente de transformação?”, questionou.
Entre as oportunidades está a soja com alto teor de ácido oleico, que possui maior estabilidade do óleo e características nutricionais diferenciadas. Nos Estados Unidos, quase 1 milhão de hectares já seriam cultivados com esse tipo de grão, com prêmios entre US$ 0,75 e US$ 1,25 por bushel.
O combustível sustentável de aviação também aparece como mercado potencial. A projeção apresentada indica que a demanda poderia exigir entre 35 milhões e 37 milhões de toneladas de soja até 2037, caso parte do óleo destinado ao biodiesel fosse direcionada ao SAF.
Para a safra 2026/27, a avaliação aponta maior atenção para milho e soja, enquanto arroz, trigo e algodão apresentam fatores de sustentação. Na soja, produção dos Estados Unidos, demanda chinesa e oferta dos principais exportadores continuarão entre os fatores centrais para os preços.
