
A evolução das lavouras de arroz no Brasil e em países vizinhos começa a gerar dúvidas sobre a oferta que chegará ao mercado na safra 2026/27. Segundo Sergio Cardoso, analista da cadeia do arroz, um relatório da S&P Global Energy, divulgado em 16 de outubro, mostra que os riscos para a produção brasileira já estão entre os fatores que sustentam as cotações futuras em Chicago.
No Rio Grande do Sul, especialmente na Fronteira Oeste, o avanço da semeadura não significa que todas as áreas estejam bem estabelecidas. Excesso de umidade, temperaturas desfavoráveis e emergência irregular das plantas podem comprometer o desenvolvimento das lavouras e afetar a produtividade.
No Paraná, as cheias do Rio Ivaí atingem áreas de arroz em diferentes estágios, inclusive lavouras em enchimento de grãos, com colheita prevista para dezembro e janeiro. Ainda não há confirmação sobre a extensão das possíveis perdas.
A preocupação também alcança o Paraguai. As cheias na bacia do Rio Tebicuary e em áreas próximas ao Rio Paraná representam riscos para lavouras já implantadas e podem dificultar a evolução da safra.
No cenário internacional, a S&P também aponta ameaças climáticas em países produtores da Ásia. Ao mesmo tempo, a Índia mantém uma projeção de exportação de 24 milhões de toneladas, indicando que o cenário não é de escassez generalizada de arroz.
Na avaliação de Cardoso, o mercado começa a considerar riscos de oferta antes mesmo de haver números consolidados sobre eventuais prejuízos. Por isso, a atenção precisa ir além da área semeada e acompanhar quantas lavouras se estabelecerão, chegarão à colheita e entregarão grãos com qualidade.
