Pular para o conteúdo Pular para a barra lateral Pular para o rodapé

Veto europeu ameaça US$ 1,8 bilhão em exportações brasileiras de carnes, peixe e mel

A decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal coloca em risco um mercado que movimentou cerca de US$ 1,8 bilhão em 2025. A medida, que entra em vigor em setembro, afeta diretamente as exportações brasileiras de carne bovina, carne de frango, carne de cavalo, pescado, tripas e mel para os 27 países do bloco europeu.

Foto: Shutterstock

Os produtos atingidos somaram 368,1 mil toneladas embarcadas no ano passado, segundo dados da Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Embora represente 5,7% do valor total das exportações brasileiras desses segmentos, o mercado europeu está entre os mais valorizados e estratégicos para a cadeia de proteínas animais.

A restrição foi motivada por divergências em relação às regras sobre o uso de antimicrobianos na produção animal. Na avaliação da Comissão Europeia, o Brasil ainda não demonstrou que atende integralmente às exigências estabelecidas pelo bloco para o controle desses medicamentos ao longo de toda a cadeia produtiva.

Carne bovina concentra maior impacto

Entre todos os setores atingidos, a carne bovina aparece como a mais exposta à nova barreira comercial. Em 2025, o

Foto: Shutterstock

Brasil exportou 128 mil toneladas de carne bovina para a União Europeia, gerando receita de US$ 1,048 bilhão. O bloco foi o terceiro principal destino da proteína brasileira, atrás apenas da China e dos Estados Unidos.

Na prática, mais da metade do valor das exportações brasileiras afetadas pela decisão europeia está concentrada na carne bovina.

Além do volume financeiro, o mercado europeu é considerado estratégico por remunerar cortes de maior valor agregado e servir como referência para outros compradores internacionais em temas ligados à sanidade, rastreabilidade e sustentabilidade.

Imagem criada por Jaqueline Galvão/ChatGPT/OP Rural

Frango responde por US$ 762 milhões

A avicultura brasileira também deverá sentir os efeitos da medida. No ano passado, os embarques de carne de frango para a União Europeia alcançaram 230 mil toneladas, com faturamento de US$ 762 milhões.

Embora represente um mercado menor que o bovino em valor, a Europa está entre os destinos mais relevantes para produtos avícolas específicos e de maior valor agregado.

O mel também entra na lista de produtos afetados. Em 2025, as vendas brasileiras ao bloco europeu somaram cerca de US$ 6 milhões.

Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a carne suína brasileira não será impactada pela medida porque o Brasil não possui habilitação para exportar essa proteína ao mercado europeu.

O que a Europa exige

As exigências europeias relacionadas aos antimicrobianos vêm sendo implementadas gradualmente desde 2019.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

O bloco proíbe o uso de substâncias consideradas importantes para a saúde humana quando utilizadas para fins não terapêuticos na produção animal, especialmente como promotores de crescimento ou para aumento de produtividade.

Entre os produtos citados pela regulamentação europeia estão virginiamicina, avoparcina, bacitracina, tilosina, espiramicina e avilamicina.

Parte dessas exigências começou a ser incorporada à legislação brasileira neste ano. Em abril, o Ministério da Agricultura proibiu a importação, fabricação, comercialização e utilização de avoparcina e virginiamicina para uso veterinário.

Foto: Divulgação

No entanto, outras substâncias abrangidas pelas regras europeias continuam permitidas no país, o que mantém o impasse regulatório entre Brasil e União Europeia.

Alternativas para recuperar o mercado europeu

Para voltar à lista de países autorizados, o Brasil terá de demonstrar que os animais destinados ao mercado europeu não recebem os antimicrobianos proibidos pelo bloco.

Especialistas apontam dois caminhos possíveis. O primeiro seria ampliar as restrições nacionais e proibir também os demais produtos vetados pela legislação europeia. O segundo envolve a criação de sistemas robustos de segregação e rastreabilidade, capazes de comprovar que os animais exportados para a Europa não tiveram contato com as substâncias proibidas.

Essa alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado das propriedades,

Imagem criada por ChatGPT

certificações adicionais, auditorias e controles específicos ao longo de toda a cadeia produtiva.

Por outro lado, permitiria preservar diferentes sistemas de produção voltados para mercados com exigências distintas.

Brasil fica isolado no Mercosul

A decisão europeia também cria uma situação delicada para o Brasil dentro do Mercosul. Enquanto o país perdeu a autorização para exportar os produtos atingidos pela medida, Argentina, Paraguai e Uruguai permanecem habilitados a vender carnes e demais produtos de origem animal ao mercado europeu.

A diferença reforça a pressão sobre o governo brasileiro e sobre o setor produtivo para adequar rapidamente os sistemas de controle exigidos pelo bloco europeu e evitar a perda de espaço para concorrentes regionais em um dos mercados mais exigentes e valorizados do mundo.

A Bela Cereais trabalha com os melhores grãos do mercado e também deixa você por dentro das últimas novidades e análises sobre do agronegócio.
Não se esqueça de seguir nossas redes sociais.

Acessar Fonte da Notícia