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Energia mais cara pressiona custos da safrinha 2026

Com o plantio da safrinha 2026 concluído em praticamente toda a área prevista no país, produtores entram agora na fase mais sensível do ciclo produtivo: o desenvolvimento das lavouras. Em meio à pressão sobre custos e ao avanço da irrigação nas regiões produtoras, a energia elétrica passou a ocupar espaço crescente na estratégia financeira das propriedades rurais.

Engenheiro de produção Gustavo Sozzi, empresário do segmento de soluções de eficiência, gestão e armazenamento energético: “O produtor rural já planeja semente, fertilizante, defensivo e frete”

Historicamente tratada como despesa secundária dentro da operação agrícola, a conta de energia começa a ganhar peso diante da combinação entre aumento tarifário, maior dependência de sistemas irrigados e necessidade de fornecimento contínuo para armazenagem, secagem e manejo da produção. “O produtor rural já planeja semente, fertilizante, defensivo e frete. Mas a energia ainda entra na conta como um resíduo. Com as tarifas no patamar atual e novos reajustes previstos ainda para este ano, quem não planeja energia antes de plantar já começa a safrinha em desvantagem”, afirma o engenheiro de produção Gustavo Sozzi, empresário do segmento de soluções de eficiência, gestão e armazenamento energético.

As projeções reforçam a preocupação do setor. Estimativas da consultoria PSR indicam aumento de até 7,95% nas tarifas de energia elétrica em 2026, percentual superior à inflação esperada para o período. Ao mesmo tempo, os subsídios pagos pelos consumidores ao setor elétrico devem atingir R$ 47,8 bilhões neste ano, alta de 17,7% em relação a 2025.

No campo, o impacto é ainda mais sensível em regiões onde a expansão agrícola vem acompanhada do crescimento da irrigação. Estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mostram que a carga elétrica rural cresce acima da média nacional no Centro-Oeste e no Matopiba, áreas que concentram boa parte da produção da segunda safra. Hoje, a área irrigada brasileira supera 8 milhões de hectares.

Photos: Courtesy of AtmosMarine

Dados da Universidade de São Paulo (USP) indicam que sistemas de irrigação por pivô central podem representar até 30% dos custos totais de produção em determinadas propriedades, dependendo da cultura e do modelo de operação. “A falta de energia no momento errado não é só um custo operacional. É produtividade perdida, é grão que se deteriora no silo, é pivô parado em período crítico de desenvolvimento da lavoura. O produtor precisa de previsibilidade energética da mesma forma que precisa de previsão do tempo para tomar decisões com antecedência e não apagar incêndio”, afirma Sozzi.

O cenário ocorre em um momento de produção elevada, mas de rentabilidade mais apertada para parte dos produtores. Mato Grosso, principal estado produtor de milho do país, deve cultivar cerca de 7,4 milhões de hectares na safrinha 2026, com expectativa de produção superior a 47 milhões de toneladas, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

No Centro-Sul, a produção estimada pela Safras & Mercado gira em torno de 100 milhões de toneladas. Até o momento, cerca de 17,9% do volume projetado já foi comercializado.

Foto: CNA

Com custos elevados e menor espaço para perdas operacionais, cresce no setor a discussão sobre eficiência energética como instrumento de gestão agrícola. Segundo Sozzi, o agronegócio brasileiro já incorporou tecnologias avançadas em diversas etapas da produção, mas ainda trata a energia de forma reativa. “O agronegócio brasileiro já opera com alto grau de sofisticação tecnológica. Drones, sensores, biotecnologia e gestão de dados já fazem parte da rotina. A energia é o próximo passo. Não existe gestão de alta performance com um insumo essencial sendo tratado de forma reativa”, salienta.

Entre as estratégias adotadas no campo estão renegociação contratual, uso de tarifas diferenciadas para irrigação noturna, migração para o Mercado Livre de Energia e projetos de geração própria.

De acordo com Sozzi, práticas de eficiência energética podem reduzir os custos de irrigação entre 20% e 30% em propriedades de média e grande escala. “Em um cenário de margens apertadas, a forma como o produtor lida com a energia pode ser o fator que separa rentabilidade de prejuízo na safrinha 2026”, ressalta.

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