Com o encerramento da safra 2025/26 e o início do planejamento para o próximo ciclo, técnicos e especialistas voltam a chamar atenção para um problema que ganhou espaço em diferentes regiões produtoras de soja: o crescimento vegetativo excessivo das plantas.
Embora muitas vezes associado apenas ao acamamento, o problema vai além das plantas tombadas na lavoura e pode provocar perdas produtivas importantes mesmo em áreas onde o dano visual não é tão evidente.

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O fenômeno costuma estar ligado à combinação entre alta fertilidade do solo, cultivares de maior porte e elevado investimento em manejo e tratos culturais. Em vez de converter energia em produção de vagens e grãos, a planta passa a direcionar parte significativa do metabolismo para crescimento vegetativo.
Estimativas preliminares indicam que áreas com acamamento severo podem registrar perdas de produtividade de até 62%. Hoje, cerca de 30% dos produtores brasileiros relatam ocorrência de acamamento em suas áreas de soja.
Além da perda direta de vagens em contato com o solo e das dificuldades operacionais na colheita, especialistas alertam para impactos fisiológicos menos perceptíveis, mas igualmente relevantes para o rendimento da cultura.
Crescimento excessivo altera arquitetura da planta

Engenheiro agrônomo, Vinícius Marangoni: “A cultura passa a gastar energia de forma desnecessária no crescimento vegetativo, deixando de destinar recursos para o desenvolvimento reprodutivo, produzindo nós, vagens e grãos”
Segundo o engenheiro agrônomo Vinícius Marangoni, o excesso de crescimento modifica a arquitetura da soja e compromete o equilíbrio fisiológico da planta. “A cultura passa a gastar energia de forma desnecessária no crescimento vegetativo, deixando de destinar recursos para o desenvolvimento reprodutivo, produzindo nós, vagens e grãos”, afirma.
De acordo com o Marangoni, esse crescimento exagerado também favorece o fechamento excessivo do dossel, reduzindo a entrada de luz nas partes inferiores da planta. “É comum que lavouras não reguladas apresentem um dossel mais fechado, o que impede a chegada de luz ao baixeiro, dificulta o atingimento de defensivos e forma um microclima favorável ao desenvolvimento de doenças. A soma desses fatores muitas vezes provoca queda de vagens e agrava as perdas produtivas”, explica.
O problema ganha relevância diante da dimensão da cultura no país. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a área plantada de soja no Brasil na safra 2025/26 deve alcançar cerca de 48,9 milhões de hectares.
Com margens cada vez mais sensíveis a oscilações de produtividade, falhas de manejo que interferem no potencial produtivo das plantas passam a ter impacto direto sobre o resultado econômico da safra.
Manejo começa antes do plantio
Especialistas defendem que o controle do crescimento vegetativo precisa começar ainda no planejamento da safra, com atenção à escolha da cultivar, população de plantas e equilíbrio nutricional.

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A adoção de reguladores de crescimento também aparece entre as estratégias utilizadas para manter a arquitetura das plantas mais equilibrada. “É fundamental que o produtor avalie o histórico das áreas e considere estratégias que contribuam para manter uma arquitetura de planta equilibrada, como o uso de reguladores de crescimento. Esse tipo de tecnologia tem potencial não apenas para evitar perdas, mas também para otimizar a fisiologia da cultura e permitir que ela expresse melhor seu potencial produtivo”, exalta Marangoni.
A avaliação técnica é de que o desafio para a próxima safra não estará apenas no investimento em tecnologia e fertilidade, mas principalmente no equilíbrio entre vigor vegetativo e eficiência produtiva dentro das lavouras.
