As projeções climáticas para 2026 acendem um sinal de alerta para o Nordeste brasileiro. A tendência de formação do El Niño nos próximos meses deve aumentar o risco de chuvas abaixo da média e ampliar a irregularidade climática na região, principalmente entre junho e agosto, período considerado estratégico para parte do regime pluviométrico nordestino.

O Dr. em Meteorologia, Alexandre Magno: “Quando essa área aquece, historicamente há diminuição das precipitações na faixa litorânea”
A avaliação é do doutor em Meteorologia Alexandre Magno, que acompanha a evolução das temperaturas oceânicas e os principais modelos internacionais de previsão climática. Segundo ele, o aquecimento gradual das águas do Oceano Pacífico já apresenta sinais consistentes associados ao fenômeno climático.
Embora o El Niño ainda não esteja oficialmente configurado em sua totalidade, os indicadores atuais apontam um processo de fortalecimento em andamento, especialmente na faixa marítima próxima à costa oeste da América do Sul. “Quando essa área aquece, historicamente há diminuição das precipitações na faixa litorânea”, afirmou o meteorologista.
Os dados mais recentes mostram que a temperatura da superfície do mar já ultrapassa os níveis considerados neutros. A expectativa é de continuidade do aquecimento nas próximas semanas, elevando a probabilidade de consolidação do fenômeno entre os meses de junho e agosto.
Os modelos climáticos utilizados pelos principais centros meteorológicos internacionais apontam entre 60% e 70% de chance de formação do El Niño nesse intervalo.
Além do Pacífico, os especialistas também monitoram o comportamento do Oceano Atlântico, que atualmente apresenta temperaturas elevadas. Esse aquecimento pode favorecer a ocorrência de chuvas isoladas e amenizar parcialmente alguns efeitos do El Niño.

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Ainda assim, a avaliação técnica é de que o Atlântico aquecido não deve alterar substancialmente o cenário de irregularidade climática previsto para os próximos meses. “O Atlântico aquecido ajuda a quebrar bloqueios atmosféricos, mas não garante volumes significativos de chuva”, explicou Magno.
Segundo o meteorologista, há convergência entre diferentes modelos internacionais, incluindo centros meteorológicos dos Estados Unidos, Europa e Alemanha, em relação à tendência de redução das precipitações à medida que o fenômeno ganha intensidade.
O nível de confiabilidade dessas projeções varia entre 60% e 70%, percentual considerado relevante em análises climáticas de médio prazo.
A preocupação aumenta diante das comparações com episódios históricos de forte El Niño, como o registrado entre 1997 e 1998. Naquele período, diferentes regiões do país enfrentaram meses consecutivos de baixos índices pluviométricos e impactos sobre reservatórios, abastecimento e produção agropecuária.

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Para 2026, embora o cenário apresente diferenças importantes, especialmente por causa do Atlântico mais aquecido, os padrões observados até agora indicam comportamento semelhante, com tendência de queda nas chuvas ao longo do ano.
Diante desse contexto, a recomendação é de planejamento antecipado, principalmente para atividades dependentes de regularidade hídrica.
A orientação inclui otimização do uso da água, ampliação da capacidade de armazenamento nas propriedades e adoção de estratégias para enfrentar possíveis veranicos mais prolongados. “O fenômeno é de escala global e inevitável, mas os impactos locais podem ser gerenciados com informação e planejamento nas propriedades”, afirmou o meteorologista.
