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Com o clima mais imprevisível, agronegócio troca planilha por tecnologia no campo

As mudanças climáticas já provocaram perdas bilionárias no agronegócio global e começam a acelerar uma transformação no mercado de seguro rural brasileiro. Pressionadas pelo aumento dos eventos extremos, seguradoras passaram a incorporar tecnologias como drones, sensores, imagens de satélite e inteligência artificial para ampliar o monitoramento das propriedades e tornar as coberturas mais precisas.

Administrador Philippe Enke Mathieu: “A tendência é que o seguro deixe de ser apenas uma proteção contra perdas e passe a atuar como uma ferramenta de gestão de risco integrada à tecnologia e à tomada de decisão no campo”

Dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) mostram que secas, enchentes, geadas e outros eventos climáticos extremos causaram prejuízos de US$ 3,8 trilhões à agropecuária mundial nos últimos 30 anos, média anual de US$ 123 bilhões.

O cenário tem elevado a demanda por ferramentas de proteção financeira e gestão de risco no campo, especialmente em um ambiente de maior volatilidade climática e produtiva.

Segundo o administrador Philippe Enke Mathieu, que atua no segmento de consultoria financeira no Brasil, o seguro rural passou por uma mudança estrutural nos últimos anos e deixou de atuar apenas como mecanismo de indenização. “A tendência é que o seguro deixe de ser apenas uma proteção contra perdas e passe a atuar como uma ferramenta de gestão de risco integrada à tecnologia e à tomada de decisão no campo”, afirma.

O avanço tecnológico já alterou a forma como seguradoras monitoram propriedades rurais e calculam riscos. O uso de drones e imagens de satélite permite acompanhar lavouras e rebanhos em tempo real, identificar falhas operacionais e acelerar processos de regulação de sinistros.

Photo: Disclosure/Seapi

Na prática, isso reduz o tempo de análise das perdas e amplia a precisão das indenizações. “A tecnologia tem sido uma grande aliada na evolução do seguro rural. O uso de drones, sensores e imagens de satélite permite monitorar lavouras, rebanhos e condições climáticas em tempo real, tornando a análise de risco mais precisa e as indenizações mais rápidas”, diz Mathieu.

Segundo ele, o uso de dados confiáveis também tem ampliado o acesso do produtor a produtos mais personalizados e eficientes.

Hoje, além das lavouras, o seguro rural já contempla estruturas de armazenagem, máquinas agrícolas, estoques e até equipamentos utilizados na agricultura de precisão, como sensores climáticos, estações meteorológicas e drones. “Equipamentos como sensores, estações meteorológicas e drones são cada vez mais essenciais, e o seguro garante proteção a esses investimentos”, afirma o Mathieu.

O crescimento do uso dessas tecnologias também abriu espaço para novas modalidades de cobertura voltadas aos próprios equipamentos. Drones agrícolas, por exemplo, já podem ser segurados contra danos operacionais, falhas técnicas e roubos.

Photo: Gilson Abreu

Outra frente de expansão está nas apólices multirrisco, que concentram em um único contrato cobertura para diferentes eventos climáticos, como seca, granizo e geada. O modelo busca ampliar a previsibilidade financeira diante da intensificação das oscilações climáticas.

As seguradoras também passaram a utilizar inteligência artificial para desenvolver apólices sob medida, considerando variáveis como tipo de cultura, localização da propriedade, histórico climático da região e nível tecnológico empregado pelo produtor.

O avanço do seguro rural, no entanto, ainda ocorre de forma desigual entre os segmentos do agro. Na pecuária, por exemplo, a cobertura segue limitada. Atualmente, menos de 5% do rebanho nacional possui algum tipo de proteção securitária, apesar do aumento dos riscos sanitários e climáticos.

Photo: Jose Fernando Ogura

A expectativa do setor é de crescimento gradual dessa modalidade nos próximos anos, especialmente diante da ampliação dos custos de produção e da necessidade de maior previsibilidade econômica nas propriedades.

Outro movimento observado é a integração do seguro ao crédito rural. Em muitas operações, as apólices já funcionam como garantia financeira, reduzindo riscos para instituições financeiras e facilitando o acesso do produtor ao financiamento.

O conceito de cobertura também passou a extrapolar a produção dentro da porteira. Seguradoras ampliaram produtos voltados à armazenagem, transporte e comercialização, incorporando uma visão mais ampla dos riscos que atingem o agronegócio.

Na avaliação de Mathieu, a combinação entre mudanças climáticas, agricultura de precisão e análise de dados deve acelerar ainda mais a modernização do seguro rural nos próximos anos.

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