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Por Roberto Samora
SÃO PAULO, 11 Set (Reuters) – O Mato Grosso, principal produtor de soja do Brasil, começou nesta semana a plantar as primeiras áreas com a oleaginosa na temporada 2026/27, aproveitando as primeiras chuvas diante da preocupação com veranicos e do possível encurtamento da janela climática da segunda safra em função dos efeitos do fenômeno El Niño.
Segundo o superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Cleiton Gauer, já é possível ver algumas frentes de plantio no Estado, principalmente em áreas de soja irrigada, mas também em lavouras de sequeiro que receberam chuvas, com agricultores buscando “acelerar ao máximo” o início dos trabalhos para minimizar impactos climáticos.
Gauer disse ter registrado plantio de soja em municípios a oeste, como Campo Novo dos Parecis, Diamantino, Brasnorte. Mas a área plantada em Mato Grosso ainda é inferior a 1% dos cerca de 13 milhões de hectares previstos pelo Imea para o Estado.
“Há algumas áreas sendo semeadas, porque algumas regiões tiveram chuvas bem interessantes, volumes significativos”, declarou Gauer nesta sexta-feira, à Reuters.
“Estão plantando principalmente os produtores que fazem algodão na segunda safra, mas não só aqueles que fazem algodão, aqueles que fazem milho também.”
Diante da preocupação com possíveis veranicos, períodos de tempo seco fora de época, “o produtor está antecipando, aproveitando a chuva do cedo”, afirmou Gauer. Normalmente, aqueles que fazem algodão na segunda safra começam antes os trabalhos.
O plantio de soja agora também se dá “pelo risco de encurtamento de janela de chuvas à frente”, disse ele, lembrando que em anos de El Niño as precipitações “cortam” prematuramente na região central do país.
Além de ser o maior produtor de soja do país, o Mato Grosso também é o principal em milho e algodão, cultivando esses produtos majoritariamente na segunda safra, após a colheita da oleaginosa.
Gauer observou que as chuvas nesta semana não foram generalizadas.
“As primeiras chuvas no Estado acontecem de maneira localizada. Temos essas áreas que foram agraciadas com volume significativo de chuva, tinha até água empoçada… mas andando cinco a dez quilômetros à frente estava seco”, comentou o superintendente, que percorreu lavouras da região oeste nesta semana.
O plantio de soja em Mato Grosso deverá ganhar tração na primeira quinzena de outubro, acrescentou Gauer.
O superintendente do Imea disse acreditar que, apesar do El Niño, a soja de Mato Grosso não deve ter problemas climáticos generalizados. “Os problemas deverão ser concentrados, com algumas regiões sofrendo menos que outras…”
O Imea estima uma redução na produtividade média da soja de 5,4% ante o ciclo passado, além de um ligeiro crescimento de área, resultando em uma queda na produção para cerca de 49 milhões de toneladas.
O superintendente disse que a comercialização antecipada da nova safra avançou em agosto, conforme apontou o Imea nesta semana, mas nada que altere a intenção de plantio em Mato Grosso por ora. As vendas de 2026/27 atingiram 39% da safra projetada, à frente da média histórica para o período de 30,55%, com produtores buscando travar preços melhores.
No caso do milho, os riscos e as preocupações são maiores. “Se o El Niño forte perdurar, a nossa preocupação fica por conta da janela de chuvas, já tivemos anos em que elas cessaram mais cedo do que o normal”, afirmou, alertando para possível queda na produtividade.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)
