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Caruru-roxo escapa ao controle e já contamina lavouras de soja em quatro estados do país

A infestação de caruru-roxo (Amaranthus hybridus) nas lavouras de soja tem se intensificado nas últimas quatro safras, inicialmente no Rio Grande do Sul e, mais recentemente, com registros de maior dificuldade de controle em estados como Santa Catarina, Paraná e São Paulo. O avanço da planta daninha preocupa produtores e técnicos pelo potencial de perdas produtivas e pelo impacto na qualidade dos grãos.

Segundo o pesquisador da Embrapa Soja, Rafael Romero Mendes, que é engenheiro agrônomo, pós-graduado em Fertilidade do Solo e Nutrição das Plantas, o caruru apresenta características que favorecem sua disseminação e competitividade no campo. “Há algumas espécies de caruru, no entanto, as principais apresentam características de agressividade semelhantes entre elas. De forma geral, o caruru costuma ter crescimento rápido e agressivo, tem sementes pequenas, facilidade de dispersão e alta capacidade de germinação”, menciona.

O aumento das áreas infestadas está associado, principalmente, à resistência a determinados herbicidas e à disseminação de sementes por meio de máquinas agrícolas. “Indicamos como manejo preventivo, por exemplo, limpar o maquinário, que é uma ação simples e que pode reduzir a disseminação de sementes. Outra medida válida é manter o solo sempre com palhada para reduzir a germinação do caruru”, orienta Mendes.

Além das práticas preventivas, o pesquisador aponta o uso de cultivares com novas biotecnologias como alternativa de manejo. No controle químico, destaca a importância dos herbicidas aplicados em pré-emergência. “A indicação de uso vai depender se a própria área ou áreas vizinhas apresentarem as plantas de caruru. Em caso de resistência a glifosato, o uso de pré-emergentes é indispensável”, explica.

Uso de pré-emergentes

A utilização de herbicidas pré-emergentes tem aumentado nas últimas safras como estratégia para impedir a germinação de plantas daninhas logo após o plantio. No entanto, a prática exige atenção técnica, especialmente quanto às características do solo, condições climáticas e à cultivar utilizada. “Um dos principais pontos de atenção é o risco de fitotoxicidade, ou seja, danos que o herbicida pode causar à própria cultura”, alerta Mendes. “Embora os herbicidas sejam desenvolvidos para não afetar a soja, resíduos do produto no solo podem provocar sintomas como injúrias nas plantas, emergência irregular e falhas no estande”, acrescenta.

Impurezas nos lotes de soja

O avanço do caruru também tem reflexos no comércio exterior. Casos recentes de cargas de soja brasileira rejeitadas por importadores, como a China, devido à presença de sementes de plantas daninhas, reforçam a exigência por padrões mais rigorosos. “Mesmo dentro de níveis considerados aceitáveis, algumas cargas foram recusadas, evidenciando o rigor comercial e o poder de decisão dos importadores”, afirma o pesquisador.

O cenário amplia a pressão por manejo eficiente ao longo de todo o ciclo produtivo. “Não há soluções isoladas, mas o controle deve ser bem executado desde o início, evitando que plantas invasoras completem seu ciclo e produzam sementes que possam contaminar a colheita”, enfatiza Mendes.

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