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Agriculture accounts for 70% of RS's exports.

As exportações do agronegócio do Rio Grande do Sul ganharam força no segundo trimestre de 2026 e chegaram a US$ 3,8 bilhões. O montante representou 70,1% de tudo o que o Estado vendeu ao exterior entre abril e junho e ficou US$ 690,4 milhões acima do registrado no mesmo período de 2025, crescimento de 22,2%, segundo dados divulgados no Boletim Indicadores do Agronegócio do RS.

A expansão ocorreu em meio ao forte desempenho da soy, das carnes e dos cereais, que compensaram quedas verificadas em segmentos como fumo, biocombustíveis e máquinas agrícolas. O complexo soy concentrou o maior volume de recursos entre os setores analisados, com US$ 1,5 bilhão exportado. O resultado superou em 47,6% o registrado no segundo trimestre do ano passado, adicionando US$ 472,4 milhões às vendas externas do segmento.

Segundo a nota técnica elaborada pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE), o avanço está relacionado à safra colhida no Rio Grande do Sul em 2026. A produção foi 34,4% superior à do ano anterior. O crescimento apareceu nas três principais categorias do complexo. As exportações de soja em grão avançaram 55,3%, enquanto o farelo de soja teve alta de 33,7% e o óleo de soja cresceu 45,9%, de acordo com os dados divulgados pelo DEE. O boletim tem coordenação do pesquisador Sérgio Leusin Junior.

As carnes ocuparam a segunda posição entre os setores com maior valor exportado, alcançando US$ 771 milhões. O faturamento aumentou 24,7%, o que corresponde a US$ 152,7 milhões adicionais em relação ao mesmo trimestre de 2025. O crescimento foi registrado nas vendas externas de diferentes proteínas. A carne de peru apresentou a maior variação percentual, de 322,8%. Também houve avanço na carne de frango, de 30,2%, na bovina, de 26,4%, e na suína, de 9,4%.

Os embarques de cereais, farinhas e preparações também aceleraram. O setor movimentou US$ 210,3 milhões no trimestre, com alta de 70,8%. O corn respondeu por um acréscimo de US$ 84,2 milhões nas exportações, enquanto o rice registrou crescimento de 14,8%, equivalente a US$ 13,6 milhões a mais.

Apesar do desempenho positivo do agronegócio como um todo, alguns segmentos perderam receita externa. O setor de fumo e seus produtos exportou US$ 415,8 milhões, queda de 23,3% na comparação anual. A redução representou US$ 126,7 milhões, enquanto especificamente o fumo não manufaturado recuou 24,8%. A retração foi ainda mais acentuada entre os biocombustíveis. As exportações do segmento diminuíram 99,6% após a interrupção das vendas de biodiesel para a União Europeia e o Paraguai, segundo a nota técnica.

Máquinas e implementos agrícolas também encerraram o período em baixa. As vendas externas do setor caíram 9,9%, com redução de 12,1% nos tratores agrícolas e de 26,6% nos pulverizadores. No comércio internacional, a China manteve posição de destaque para o agronegócio gaúcho. O país absorveu 26,5% das exportações do setor no segundo trimestre. Em seguida apareceram União Europeia, com 13,5%, Estados Unidos, com 5%, Vietnã, com 4,5%, e Índia, com 4%. Somados, esses cinco mercados concentraram 53,5% de todo o valor exportado pelo agronegócio do Rio Grande do Sul no período.

A relação comercial com a China também apresentou forte expansão na comparação com 2025. As vendas ao país cresceram US$ 263,2 milhões, alta de 35,4%, impulsionadas principalmente pela soja em grão e pelas carnes de frango e bovina. A Índia ampliou as compras em US$ 92,2 milhões, movimento concentrado no óleo de soja. Para a Coreia do Sul, as exportações avançaram US$ 89,3 milhões, principalmente devido ao farelo de soja.

Em sentido contrário, houve redução dos embarques destinados aos Emirados Árabes Unidos, especialmente de celulose e carne de frango. As vendas aos Estados Unidos também diminuíram, com destaque para o recuo do fumo não manufaturado. O crescimento das exportações, porém, não se refletiu no emprego formal durante o trimestre. O agronegócio gaúcho fechou o período entre abril e junho com saldo negativo de 9.665 postos com carteira assinada. Foram 56.455 contratações diante de 66.120 desligamentos.

O resultado foi pior que o observado no segundo trimestre de 2025, quando o saldo também havia sido negativo, com fechamento de 7.004 postos. Segundo a nota técnica, a redução está associada à sazonalidade da atividade agropecuária, com diminuição da demanda por trabalhadores depois do encerramento da colheita das culturas de verão.

No conjunto da economia do Rio Grande do Sul, o saldo de empregos formais entre abril e junho de 2026 também ficou negativo, com perda de 5.944 postos. A leitura muda quando considerados os seis primeiros meses do ano. Entre janeiro e junho, as exportações do agronegócio gaúcho somaram US$ 7 bilhões e corresponderam a 71% de todas as vendas externas do Estado.

De acordo com os dados divulgados pelo DEE, a receita do setor no primeiro semestre aumentou 8,8% em comparação com igual período de 2025, o equivalente a US$ 566 milhões adicionais. O emprego formal também terminou o semestre no campo positivo. O agronegócio contabilizava 406.882 vínculos ativos ao final de junho. Foram 152.972 admissões e 139.469 desligamentos ao longo dos seis meses, resultando na criação líquida de 13.503 postos.

Considerando toda a economia do Rio Grande do Sul, o primeiro semestre terminou com saldo positivo de 40.902 empregos formais.

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